Cidadão pé-vermelho
Simone Mattos
O escritor e jornalista paulista Nilson Monteiro, que atualmente reside em Curitiba, receberá hoje o título de Cidadão Honorário de Londrina. Nada poderia ser mais justo. Com 47 anos de idade e 28 de profissão, ele se considera morador de Londrina há 35 anos, desde que chegou ao Norte do Paraná pela primeira vez. Posso até morar em outras cidades, mas o meu pensamento está sempre lá, explica.
Ele se formou em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), é casado com uma londrinense e teve três filhos na mesma cidade, onde hoje moram seus pais, dois irmãos e as respectivas famílias. Monteiro trabalhou mais de oito anos no jornal Folha de Londrina e escreveu quatro livros em que a cidade aparece com destaque.
São eles: Simples, uma obra de poesias; Curitiba Vista Por um Pé Vermelho, um livro de crônicas; e duas obras voltadas à reportagem, Um Novo Rumo Para o Paraná e Itaipu - A Luz. Atualmente, Monteiro está escrevendo a obra Personagem, que será 80% londrinense.
Por tudo isto e pela paixão declarada que sente pelo local onde passou a maior parte de sua vida, Monteiro receberá hoje o título de Cidadão Honorário, apresentado pelo vereador e jornalista Salvador Francisco (PPS) e concedido em abril pela Câmara de Vereadores de Londrina. Estou emocionado, resume o jornalista.
E é quase impossível para ele falar sobre Londrina sem se emocionar. Tenho pela cidade uma paixão vulcânica, de adolescente, uma paixão que gruda como a terra vermelha, declara. Não consigo me desvencilhar de Londrina.
O que mais o atrai no lugar, entretanto, é a própria população, formada por 33 etnias, há cerca de 60 anos. Por este detalhe, as pessoas não estão comprometidas com nenhuma definição, com nenhum tradicionalismo, afirma. Em sua opinião, o povo londrinense é trabalhador, progressista e generoso.
As lembranças que guarda com carinho tiveram início em 1964, quando chegou em Londrina vindo de Presidente Bernardes (SP). Na década de 70, vivi intensamente, como líder estudantil, o movimento contra a ditadura, lembra.
Ele fala com orgulho da importância nacional que os movimentos realizados em Londrina tiveram para a conquista da democracia, na época do jornal Poeira, por exemplo. A cidade sempre teve a crista erguida, sempre foi um caldeirão de idéias, afirma.
Sua carreira começou em 1971, quando ingressou no Novo Jornal. No ano seguinte, entrou na Folha, jornal que ele considera sua escola. Entre outros veículos, Monteiro trabalhou no jornal Panorama e TV Tropical, em Londrina, e no Estado de São Paulo, na capital paulista. Em 1986, o jornalista se mudou para Curitiba, onde trabalhou em vários veículos, incluindo a revista IstoÉ. Atualmente, é editor-executivo do jornal Gazeta Mercantil.
Apesar de residir em Curitiba com a mulher e os filhos, Monteiro visita Londrina, em média, uma vez por mês. Gostaria de ir mais, confessa. Ele considera que muitas de suas maiores conquistas pessoais e profissionais aconteceram no Norte do Paraná. Já fiz tudo em Londrina, só não morri lá, brinca. Para não correr o risco, ele incluiu em seu testamento o desejo de ser enterrado em terra vermelha.Nilson Monteiro recebe hoje em Londrina o título de Cidadão Honorário, homenagem ao jornalista que tem um caso de amor com a cidade
Milton Dória/Arquivo FolhaNilson Monteiro: Tenho por Londrina uma paixão vulcânica, de adolescente, uma paixão que gruda como a terra vermelha





