Cidadania inspira a aprendizagem
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terça-feira, 28 de setembro de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Cidadania que vira desenho, redação e conscientização. O Projeto Agrinho, desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) em escolas estaduais e municipais do Paraná, atua há nove anos estimulando crianças e adolescentes a terem responsabilidade e respeito. O supervisor regional do Sernar, Edson Luis Limper, contabiliza que mais de R$ 2 milhões de alunos estão envolvidos no projeto, que premia anualmente a melhor redação e desenho feito sobre o tema escolhido. Este ano foi cidadania. Os alunos receberam cartilhas para ajudar nas atividades.
A Apae de Londrina é uma das 72 escolas integrantes do projeto no município. Aqui, participam 6.991 alunos do ensino básico, 29.044 do ensino fundamental e 926 da educação especial. Os dados são do Núcleo Regional de Ensino (NRE). Os alunos da Apae desenvolveram desenhos enfocando a cidadania. A única lamentação da diretora da escola, Maria Helena Faleiros, é que apenas um desenho poderá ser escolhido para concorrer. ''Estamos fazendo uma eleição porque está difícil selecionar o melhor'', comentou.
A cidadania foi trabalhada sob diversos aspectos com os alunos. Família, religião, moradia e direito à documentação foram os principais. Alguns alunos tiraram até título de eleitor para poderem participar das eleições este ano. Outra turma trabalhou com o mapa do Paraná e as três maiores cidades do estado: Curitiba, Londrina e Maringá. ''Foi muito bom porque ajuda no conhecimento cognitivo. Os alunos adoraram e foi uma oportunidade de trabalhar em equipe'', afirmou a coordenadora do setor escolar Irene Frutuoso.
Enquanto pessoas portadoras de necessidades especiais, os alunos tiveram uma lição a mais sobre seus direitos e deveres. ''Mostramos formas para que eles sigam conscientes de seus direitos na sociedade'', completou a coordenadora. A professora de artes Elizabete Rodrigues Lopes trabalhou o tema com seus alunos. Ela descreveu que primeiro focou a cidadania com conversas e opiniões e depois pediu para que eles passassem para o papel o que sentiam.
Todos os trabalhos foram muito bem representados. Mariana Pereira, da turma de alfabelização, tem 12 anos e estudou as cidades do Paraná. Ela nunca tinha visto um mapa antes. ''É a primeira vez que pesquisei e fiquei conhendo agora'', disse. Já Luiz Henrique da Silva Machado, 9 anos, fez um desenho. ''Eu fiz uma casinha que tem uma janelinha aberta e um homem soltando pipa'', descreveu. O desenho de Luiz era um dos selecionados para a eleição. Ele contou que aprendeu a soltar pipa com seus irmãos. Joseciara Javara, 14 anos, coloriu sua família no papel. Ela fez vários corações e disse que ''era porque é uma família feliz''.
Rogério Lopes, 11 anos, também deu destaque à família. ''Fiz a casa, a família, a rua e a paz. Minha mãe morreu e meu pai também e aí veio outra mãe que é a minha tia'', contou. Para ele, ter família é ter cidadania. Gabriel Teixeira Shictaro, 23 anos, descreveu que para ele cidadania é ter direito a um lar, família e trabalho. ''As crianças têm que estudar e ter uma vida excelente'', salientou. Ele apontou que todos na Apae são irmãos e que ''adora'' o local. ''Sou autodefensor dos alunos'', declarou.
Outra escola que participou do projeto Agrinho foi o Caic do Jardim Santiago (Estadual Cássio Leite Machado). A professora de português Rosana Peres participa pela primeira vez do projeto e ficou entusiasmada com o retorno dos alunos. ''Desenvolvemos a cidadania voltada para a ética e fizemos um trabalho de conscientização política'', descreveu. O tema deu continuidade ao que a escola já estava trabalhando, por isso o foco para a política. Os alunos da 8 série convidaram um dos candidatos a prefeito para debater com eles e expor as propostas. ''Foi muito bom porque os alunos puderam tirar várias dúvidas'', completou Rosana.
Alunos do ensino fundamental integraram o Agrinho e escreveram redações sobre o tema. Rosana destacou que um aluno da 8 série fez uma pesquisa na internet com todos os candidatos a vereador e prefeito. A professora sugeriu que o trabalho ficasse à disposição na biblioteca para os professores consultarem e ajudar na escolha de seus candidatos. Além disso, os alunos visitaram postos de saúde para verificar como estava sendo desenvolvido o trabalho e como era o atendimento.
Rosana quer inscrever também o projeto na categoria experiência pedagógica. Ela colheu depoimentos de outras escolas para saber como foi trabalhar o projeto. ''Precisaria de mais projetos nessa área'', solicitou.
As escolas têm até o dia 1º de outubro para encaminhar os trabalhos selecionados para o Senar. As premiações serão feitas no fim do ano em Curitiba e os melhores trabalhos receberão prêmios como bicicletas, microondas, computadores, televisão, entre outros. O transporte é pago pelo Senar, que é um órgão privado com parceiras entre o governo do estado e empresas patrocinadoras. ''É muito importante porque as crianças que passaram pelo programa há 9 anos já são adultos e os que estão atuando na atividade pecuária estão com uma responsabilidade maior. Nosso objetivo maior é criar consciência nessas crianças para que elas venham a ser trabalhadoress rurais preocupados com cidadania'', finalizou Limper.


