CIDADANIA - TV tem espaço gratuito para os moradores
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sábado, 05 de junho de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
O escritório da TV ROC fica dentro da Favela da Rocinha. No local trabalham 32 funcionários (80% deles moradores da favela). A programação da televisão comunitária que funciona das 9 às 19h30 é feita por estagiários de comunicação de universidades do Rio de Janeiro, que ficam no período de três a quatro meses, muitas vezes em parceria com os moradores da favela, que acompanham e participam das gravações. Os estagiários trabalham de forma voluntária, mas recebem vale-transporte e seguro de vida.
''Na seleção dos estagiários, interesso-me por aqueles que admitem que têm medo de estarem ali. É importante levar em consideração essa realidade e aprender a trabalhar com ela da melhor maneira possível. Acredito que esse tipo de estágio engrandece o profissional, faz com que ele tenha mais flexibilidade na linguagem, na maneira como lida com as questões da favela e acho que isso gera uma sensibilidade que ele vai conseguir levar para a carreira profissional futura'', afirmou Dante Quinterno
A TV ROC também disponibiliza espaço para programas feitos pelos moradores da favela da Rocinha. Eles recebem orientações técnicas dos estagiários nos primeiros meses. O espaço é cedido gratuitamente e fica a critério dos moradores a venda de espaço publicitário. A renda fica inteiramente com a pessoa que está fazendo o programa e é vedado qualquer apoio ou patrocínio de políticos. Atualmente há quatro programas nesse formato: Rocinha na TV, ROC Notícias, Top Clip e Palco Mambembe Show. Eles também fazem parceria com igrejas e entidades filantrópicas como a que cuida de crianças com Síndrome de Down e transmite vídeos educativos sobre o assunto. ''Queremos democratizar a informação'', defende Dante Quinterno.
Ele diz que no início uma das principais dificuldades foi conseguir localizar o endereço dos moradores. Em parceria com os Correios e associação de moradores hoje todos os 30 mil assinantes recebem em casa os boletos de pagamento. A maioria prefere pagar no escritório da TV ROC, que fica na própria favela, e com cartão de crédito. ''Fizemos uma parceria com a Caixa Econômica e foi possível viabilizar cartões para eles. Eles se sentem valorizados e respeitados'', disse. Outro dado interessante é que a maior parte dos pagantes é formada por mulheres. ''Elas são as chefes de família na favela e pagam em dia, elas são muito responsáveis.'' Para ter o canal de TV a cabo, cada morador da Rocinha paga mensalidade de R$ 25,00. A taxa de adesão custa R$ 50,00 e pode ser dividida em duas parcelas.
O escritório da TV ROC também está servindo como prestadora de pesquisas sobre população de baixa renda, normalmente encomendadas por agências de propaganda. Ele também serve de ponte para o contato comercial de outras empresas com a favela. Recentemente um café da manhã com 70 líderes comunitários marcou o lançamento de celulares da TIM na favela. ''Nós não cobramos nada por isso e acho que esse tipo de iniciativa valoriza os moradores que são tratados como potenciais consumidores.''
Serviço:
Mais informações sobre a TV ROC podem ser obtidas pelo site www.tvroc.com.br.


