São Paulo, 03 (AE) - Em 1899, quando se completavam 150 anos do nascimento de Goethe, o cinema ainda engatinhava (a primeira sessão dos irmãos Lumire fora quatro anos antes), mas já havia pelo menos uma dúzia de adaptações do escritor. Cem anos mais tarde, nos 250 anos de nascimento de Goethe, o número de filmes adaptados direta ou indiretamente de seus livros supera a centena. Alguns dos mais expressivos integram o ciclo que começa amanhã às 20 horas no Instituto Goethe.
O programa de abertura é duplo. O curta "O Mesmo", de Riki Klabe e Barbara Kasper, sobre a criação, em 1780, do poema "Acima de Todos os Cumes Existe a Paz", serve de complemento para o longa Fausto, de Peter Gorski, que será exibido sem legendas.
Trata-se de uma raridade: o filme que busca um meio termo entre o teatro filmado e o cinema utiliza material fornecido pela encenação de Gustaf Grundgens para o clássico de Goethe no Deutsches Schauspielhaus, de Hamburgo. Gundgrens é o lendário ator alemão retratado no filme "Mephisto", de István Szabó. Sabe do que fala, posto que ele próprio vendeu a alma ao nazismo em troca de sucesso.
Terça-feira, serão projetados o curta Schmidt, "Que É Igual a Mim" ou "Goethe Passeia pelo Parque", de Hans Sachs e Hedda Rinneberg, e o longa "Clavigo", de Marcel Ophuls, nome importante do cinema francês contemporâneo, por suas abordagens de temas históricos e polêmicos. Na quarta, passa "Os Novos Sofrimentos do Jovem W.", de Eberhard Itzenplitz, e na quinta "Tarô", de Rudolf Thome, baseado em "Afinidades Eletivas".
No filme do talentoso Thome, revelado ao público brasileiro pela Mostra Internacional de Cinema, o casal formado pelo barão Eduard e Charlotte vira um diretor e sua companheira, uma atriz. Como no livro, o tema é o conflito entre a paixão e a moral vigente.

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