São Paulo, 24 (AE) - Sem negligenciar a contribuição de Carla Camurati à retomada do cinema brasileiro, Tata Amaral talvez seja a mais talentosa diretora do País em atividade. Ela alcançou esse reconhecimento por um dos filmes mais fortes e originais dos anos 90 - "Um Céu de Estrelas". Tata ganha a partir de amanhã (25) a homenagem do Museu da Imagem e do Som (MIS), de São Paulo. É a cineasta do mês. Durante três dias, até domingo, o público poderá (re)ver seus curtas e o único longa que ela realizou.
Aluna ouvinte do curso de Cinema da Escola de Comunicação e Artes da USP, Tata começou sua carreira no documentário. Encaminhou-se para a ficção. A trajetória está bem representada no ciclo, que exibe um programa formado pelos curtas da diretora: "Poema: Cidade", que ela fez em parceria com Francisco César Filho, "Queremos as Ondas do Ar!", "História Familiar" e "Viver a Vida". Logo em seguida vem o outro programa, com o longa. "Um Céu de Estrelas" é, por enquanto, o único longa de Tata, mas não o será por muito tempo. Ela concluiu no ano passado a rodagem de "Através da Janela". Trabalha, atualmente, na finalização da obra. Sua Medéia paulistana e suburbana deverá estourar em breve nas telas.
"Poema: Cidade" remete ao poeta Augusto de Campos. Traduz a fragmentação rápida e fragmentada do homem urbano por meio do ver e ouvir. "Queremos as Ondas do Ar!" é um panfleto a favor da democratização das ondas do ar. "História Familiar" trata do desgaste de uma relação e "Viver a Vida" focaliza o cotidiano de um office-boy esperto. São talentosos, mas o talento de verdade explode com "Um Céu de Estrelas", que justifica o crédito de expectativa em relação a "Através da Janela". Trabalhando com elementos dramatúrgicos mínimos, Tata conseguiu concretizar um filme de grande impacto. É a história de Dalva, interpretada por Leona Cavalli. Ela ganhou um concurso de cabeleireiras, está de passagem marcada para Miami. Existem percalços no meio do caminho: a mãe doente. Ou o ex-namorado, sugestivamente chamado de Vítor. Na verdade, é um derrotado que irrompe na casa de Dalva de arma na mão, disposto a reatar o romance. O resto é pura adrenalina. Fechados dentro da casa, cercados pela polícia e pela mídia, os personagens encenam um drama em que a periferia arromba as portas da classe média.
Tata baseou-se num romance de Fernando Bonassi, que Jean-Claude Bernardet e Roberto Moreira transformaram em roteiro. O curioso é que o próprio Bonassi terminou por inspirar-se em "Um Céu de Estrelas" para fazer o curta "O Trabalho dos Homens". É a história dos atiradores de elite que, no desfecho do filme de Tata, resolvem o drama. Bonassi imaginou uma conversa cheia de trivialidades entre os dois, enquanto vão montando suas armas. Seu curta faz justiça ao belo filme de Tata. Serviço - Tata Amaral. Amanhã, sábado e domingo, às 19 horas, Poema: Cidade, de Tata Amaral e Francisco César Filho/86; Queremos as Ondas do Ar!, de Tata Amaral e Francisco César Filho/86; História Familiar, de 88; Viver a Vida, de 91; às 21 horas, Um Céu de Estrelas, de 98, com Paulo Vespúcio Garcia
Alleyona Cavalli. Grátis. MIS - Auditório. Avenida Europa, 158, tel. (011) 852-9197.

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