Ciclo no MIS homenageia o cineasta Kenji Mizoguchi
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segunda-feira, 12 de julho de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 13 (AE) - Existe um estilo brasileiro de filmar (e o seu representante máximo é Humberto Mauro). Existe também um estilo americano (filtrado pelas referências irlandesas de John Ford), um francês (Jean Renoir) e um japonês. Só que, no caso desse último, os críticos se dividem. Ficam indecisos entre Yasujiro Ozu, com sua câmera colocada no ângulo de um observador sentado na esteira de tatame, e Kenji Mizoguchi
com seus refinados planos-sequência.
Mizoguchi, cujo centenário de nascimento foi comemorado no ano passado (morreu em 1956), ganha a homenagem do Museu da Imagem e do Som (MIS), que programou um ciclo dedicado ao mestre japonês. Começa amanhã (14) às 21 horas com "Oharu - A Vida de uma Cortesã" e vai até domingo, sempre no mesmo horário, com "O Intendente Sansho", "A Nova Saga do Clã Taira", "Os Amantes Crucificados" e "Contos da Lua Vaga". A entrada é franca em todas as sessões.
Além de ser um grande diretor, Mizoguchi é referência obrigatória na formulação da chamada política dos autores. Não só pela força e coerência de suas idéias, mas também originalidade plástica e dramática de seu cinema, sempre foi cultuado por figuras como o brasileiro Carlos Diegues e o francês Jean-Luc Godard. Na primeira vez que foi ao Japão, em 1960, Godard fez questão de sair direto do aeroporto para o cemitério. Foi depositar um buquê de flores no túmulo do cineasta que considerava o maior de todos - Mizoguchi.
A maioria de seus filmes se baseia em peças e romances dos séculos 16, 17 e 18, colocando em discussão as bases sociais e morais, os mitos e estruturas que formam o que se pode chamar de cultura japonesa. Foi um grande criador de personagens femininas, que escolheu para transformar a luta pela vida no tema central de sua obra. Serviço - "Kenji Mizoguchi". Amanhã: "Oharu - A Vida de uma Cortesã". Às 21 horas. Grátis. MIS. Avenida Europa, 158, tel. 852-9197. Até domingo


