Ciclo no MIS celebra o Cinema Noir
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 03 (AE) - Gângsteres - eles foram os heróis existenciais da América nos anos 30. Estão de volta no Museu da Imagem e do Som (MIS), no ciclo Cinema Noir, que acompanha o lançamento de uma caixa com cinco filmes e mais duas fitas avulsas da Continental Vídeo, que poderão ser adquiridas no local. Caixa e ciclo celebram um dos gêneros mais populares do cinema. O cinema noir, como o musical e o western, sempre gozou de muita popularidade em Hollywood. Mas, enquanto o musical e o western praticamente sumiram das telas, o cinema noir sobrevive a todas as mudanças da produção americana.
O cinema noir tanto pode celebrar o gângster quanto o detetive privado (e a mulher fatal). A caixa da Continental e o ciclo (em vídeo) do MIS estão no primeiro caso. A programação começa amanhã (04) e vai até domingo. O melhor programa da abertura é "Heróis Esquecidos", um dos mais movimentados filmes de gângsteres dos anos 30. James Cagney faz o herói que volta da 1.ª Guerra para descobrir que não tem chances na nova América. Nos turbulentos anos da Lei Seca, parte para a contravenção. E enfrenta o gângster (Humphrey Bogart) que ameaça um casal de amigos. Raoul Walsh é o diretor. Imprime ao filme o ritmo trepidante e a consciência social que fizeram dele um dos diretores mais importantes da história da empresa Warner.
O outro programa importante de amanhã não é bem um filme de gângsteres, mas "O Terceiro Homem" é noir, com certeza. No filme famoso de Carol Reed, que Orson Welles teria supervisionado, além de interpretar, a ética vira estética. Reed mostra um mundo em ruínas. Não são apenas as ruínas do cenário - Viena, após a 2.ª Guerra, filmada em contrastes de claro-escuro. As ruínas são também e principalmente morais, expondo o mundo que surgiu da guerra. Remetem a uma ética internacional da corrupção e da velocidade, até hoje reconhecíveis no efeito chamado de globalização.
Joseph Cotten é o protagonista, mas o filme é dominado pela personalidade de Harry Lime, o personagem de Welles. É o sabotador que resume o sentido do filme: "A Itália passou 30 anos sob o domínio dos Bórgias, mas produziu Michelangelo, Leonardo da Vinci e a Renascença; a Suíça teve 500 anos de democracia e amor fraternal e produziu só o relógio-cuco". Destaques - Outros destaques do ciclo: "Alma no Lodo", de Mervyn LeRoy, "Inimigo Público", de William Wellman, "Anjos da Cara Suja", de Michael Curtiz (de novo com Cagney e Bogart), e "O Rei dos Facínoras", de Budd Boetticher.


