Ciclo no CCSP homenageia a Riofilme
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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 01 (AE) - Para assegurar os direitos de distribuição, a Riofilme tem entrado com verbas que ajudam na finalização de muitos filmes brasileiros. Com isso, tornou-se uma parceira importante do cinema nacional desde o início da retomada. Nada mais justo do que homenagear a Riofilme com um ciclo. É o que está fazendo, a partir de amanhã (02), o Centro Cultural São Paulo, na Sala Lima Barreto. A programação vai até domingo, mostrando oito filmes (no sábado e domingo, haverá duas sessões).
O evento começa sob o signo de Helvécio Ratton, que dirige "Amor & Cia." (amanhã) e termina (domingo) com a sequência de um filme que Ratton realizou - "O Menino Maluquinho 2 - A Aventura", de Fabrízia Pinto e Fernando Meirelles. Embora tenha mais ação e mais efeitos especiais, o "Menino 2" é inferior ao original, que tinha mais charme ao tratar, basicamente, de conflitos familiares que envolvem o personagem criado por Ziraldo.
Ratton é um diretor talentoso, mas errou a mão ao realizar "Amor & Cia." O filme valeu à bela Patrícia Pillar um discutível prêmio de interpretação no Festival de Brasília. É uma história de adultério adaptada de Eça de Queiroz. Falha ao ficar indecisa entre humor e drama, sem captar as sutilezas do escritor português.
"Como Ser Solteiro", de Rosane Svartman, que passa quarta- feira, prossegue na vertente de "Pequeno Dicionário Amoroso", sem repetir integralmente o êxito do filme de Sandra Werneck. Mas é um filme que se comunica com o público e o cinema brasileiro, no momento atual, não pode prescindir dessa comunicação. O problema é que são filmes que afagam o umbigo da classe média, explorando o narcisismo desse segmento da sociedade brasileira.
"Alô?", de Mara Mourão, usa o telefone celular para falar de conflitos de classes. Repete, arté certo ponto, a experiência de "16 0 70", de Vinicius Mainardi, tanto pela linguagem publicitária quanto pelo olhar desabusado (e um tanto preconceituoso) em relação aos pobres. Diverte, de qualquer maneira, quando Myrian Muniz está em cena - ainda bem que ela aparece bastante.
"O Toque do Oboé", de Cláudio McDowell, é outro que tropeça na narrativa emperrada, mas possui algumas qualidades. É mais do que se pode dizer de "Bela Donna", de Fábio Barreto. Finalmente, no sábado, à noite, passa o melhor filme de toda a programação. É "Kenoma", de Eliane Caffé, que trata do moto- contínuo.


