São Paulo, 22 (AE) - Passados a euforia do renascimento e o surto da produção da era do real, o cinema brasileiro está novamente em crise. Há dezenas de filmes prontos e à espera de distribuição, sem salas para chegar ao público. Na outra ponta, apesar do mecanismo da Lei do Audiovisual, que permite às empresas aplicar parte do seu Imposto de Renda no cinema, há um evidente decréscimo nos investimentos. Partindo desses dados, o Grupo de Cinema de São Paulo, ligado ao Cinusp, promove um ciclo de debates para discutir o atual estágio do cinema no País.
O Grupo de Cinema edita a revista Sinopse, que será lançada hoje no Espaço Unibanco, em São Paulo. O número 1 da revista já dá o tom do que vai ser a discussão. Num artigo de fundo escrito por Maria Dora Mourão e Newton Cannito (ela é professora de Cinema da ECA-USP e coordenadora-geral do Cinusp), a conclusão é que é preciso investir em educação e cultura para garantir a viabilidade comercial do cinema brasileiro.
Serão três mesas-redondas, sempre a partir das 21h30, na Sala 4 do Espaço Unibanco. A primeira, amanhã (23), discute os caminhos estéticos do cinema brasileiro contemporâneo, com a participação dos diretores Joel Pizzini e Alain Fresnot (que também é produtor), do produtor e distribuidor Bruno Wayner, do crítico Inácio Araújo e do diretor do MAC-USP e professor do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA-USP, José Teixeira Coelho.
Quinta-feira, o tema será a política cultural para o cinema brasileiro e o audiovisual, com a participação do diretor Roberto Farias, que foi presidente da ex-Embrafilme, do produtor Luiz Carlos Barreto e do diretor-geral do Espaço Unibanco, Adhemar Oliveira. Na sexta, Maria Dora Mourão coordena a mesa que vai discutir a formação profissional em cinema e audiovisual e os mecanismos de apoio à produção de jovens realizadores.
Em entrevista à Agência Estado, ela diz que é prioritária a constituição de um programa de apoio e incentivo à formação nos vários níveis técnicos e artísticos. E destaca que, enquanto em outros países a formação em cinema e audiovisual é considerada fator fundamental no contexto da produção, o Brasil nunca deu muita importância a esse quesito. Sem formação de técnicos e artistas, Maria Dora não acredita na possibilidade de fortalecimento do cinema brasileiro. E o que o ciclo de debates pretende é justamente apontar caminhos para a solução da crise.

mockup