CICLO DE PALESTRAS REPENSA O BRASIL
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Entre os dias 10 de setembro e 29 de outubro, o Teatro da Federação Espírita do Paraná estará sediando novamente o projeto Brasil 500 Anos Experiência e Destino, promovido pela Funarte e Secretaria de Estado da Cultura, com apoio da Universidade Federal do Paraná. A Invenção do Estado-Nação será o terceiro ciclo de palestras que tem por finalidade discutir e repensar o Brasil e seus caminhos, às vésperas de completar cinco séculos.
As inscrições estão abertas na Secretaria da Cultura Coordenadoria de Ação Cultural , sendo que desta vez as taxas cobradas serão mais caras que das vezes anteriores: R$ 50,00 e R$ 40,00 para estudantes.
Ocorre que haverá gastos extras, segundo os promotores, como a tradução simultânea para as palestras dos professores vindos do exterior. Tem ainda a atenuante de que o programa será amplo, com um total de 27 conferências.
Entre os expositores estarão Luiz Felipe de Alencastro, José Miguel Wisnik, Renato Janine Ribeiro, Lilia Moritz Schwarcz, Gerd Bornheim, Newton Bignotto e Pierre Rosanvallon, diretor de Estudos na École des Hautes Études en Sciences Sociales e no Centre de Recherches Politiques Raymond Aron.
Para o coordenador do projeto, Adauto Novaes, depois do ciclo A Descoberta do Homem e do Mundo, onde se discutiu a formação das idéias na Europa à época das grandes descobertas, e de A Outra Margem do Ocidente, em que, partindo das experiências das sociedades indígenas, fez-se uma análise da origem do Estado, o atual encontro só poderia desaguar neste tema. É a trilha do caminho histórico.
Estado-Nação era o assunto do momento na Europa, discutia-se sua viabilidade quando o Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral. O resultado, por estas bandas do Novo Mundo, deu no que deu, sintetiza o presidente da Funarte, Márcio Souza.
O programa do Brasil 500 Anos, que será distribuído entre os participantes, traz um comentário do escritor em que ele traça um paralelo entre o Norte e o Sul do continente. Ao Norte, os puritanos esperaram, por entre preces fervorosas e depois de jogarem ao mar muito carregamento de chá inglês, o momento certo para forjarem um Estado.
Ao Sul, deu-se exatamente o contrário. Para abater custos, facilitar a exploração colonial e queimar a mão-de-obra abundante e barata, o Estado apareceu de imediato, importado de corpo inteiro.
A Invenção do Estado-Nação divide-se em duas partes. A primeira vai se deter na trilha da relação entre liberdade, poder, medo, esperança, totalitarismo, a guerra como meio para a redefinição da geopolítica entre outros temas, e a segunda à gênese do Estado brasileiro e à idéia de identidade nacional.
Chegando aos 500 anos de sua criação, o Estado-Nação dá claras demonstrações de entrar em uma crise sem precedentes e sem exemplos na história, analisa o filósofo Adauto Novaes. Como se vê, a discussão do encontro, que envolverá temas recorrentes como a cidadania e a política, acontece numa hora oportuna.
Brasil 500 anos A Invenção do Estado-Nação de 10 de setembro a 29 de outubro, no Teatro da Federação Espírita do Paraná (Alameda Cabral, 300). As inscrições estão abertas na Secretaria de Estado da Cultura, Rua Ébano Pereira, 240, através da Coordenadoria de Ação Cultural. Taxas: R$ 50,00 e R$ 40,00 (estudantes).Tema A Invenção do Estado-Nação será debatido em Curitiba
ReproduçãoCabral Avista a Costa Brasileira, de José MalhoaReproduçãoNova et accurata Brasiliae totius tabula (Novo e preciso mapa de todo o Brasil), gravura colorida a pincel de Jan Blaeu (c.1640)





