Há três meses, uma enorme cicatriz se abriu no centro de Londrina. Em chamas, o Cine Teatro Ouro Verde - maior espaço cultural da cidade - se transformava, diante dos olhos da população, lentamente em ruínas. A mobilização foi imediata; abalada com a perda de uma de suas estruturas mais significativas, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) logo recebeu votos de solidariedade da sociedade civil, assim como o apoio simbólico da Prefeitura de Londrina e do Governo do Estado. Este se comprometeu publicamente em ajudar no processo de reconstrução, estimado inicialmente em cerca de R$ 25 milhões pelo secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alípio Leal. Mas até agora, quase cem dias depois da tragédia, o que foi feito de concreto?
''Por ser um patrimônio histórico, nós tivemos que prestar muitas contas, principalmente para o Iphan (Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e para a Secretaria de Cultura. Durante o primeiro mês após o incêndio, tivemos as questões envolvendo a perícia feita no local'', relata a professora Silvia Galvão, diretora do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) da Universidade e envolvida nos projetos estruturais da reconstrução. ''Agora sim, já estamos nos aproximando da fase de retirada de escombros'', afirma, animada. A empresa que fará o serviço já foi definida, e o contrato deve ser formalizado ainda esta semana. Ela terá o prazo de 45 dias para concluir a retirada total dos escombros.
Além de muito trabalho nos bastidores, esses três meses também foram marcados por iniciativas de diversas camadas da sociedade civil. A comunidade artística londrinense se mobilizou através de concertos e apresentações que homenagearam o tradicional espaço cultural.
A Sociedade Rural de Londrina promoveu uma campanha para arrecadação de fundos por meio da comercialização de milhares de bandanas promocionais a R$ 5 cada. As vendas começaram no período da ExpoLondrina 2012 e vão ser estendidas até o Festival Internacional de Teatro (Filo), de 8 a 30 de junho. Toda a renda será destinada integralmente para a reconstrução do Ouro Verde.
Dentro da própria UEL, outra iniciativa foi a de abrir uma conta bancária para doações espontâneas e o patronato de 500 poltronas no valor de R$ 5 mil cada. Segundo a diretora da Casa de Cultura da UEL, Magali Kleber, a conta bancária foi criada depois que muita gente procurou a universidade querendo fazer doações em dinheiro para a reconstrução do Ouro Verde. Para ela, ações como essa são extremamente importantes não pelo retorno financeiro, mas porque mantêm a comunidade envolvida com a causa (confira entrevista na página 4).
A assessoria da Sociedade Rural de Londrina preferiu não divulgar o quanto foi arrecadado até o momento, e a UEL deve fazer um levantamento financeiro de suas campanhas na próxima semana.
''Todos sabem das dificuldades pelas quais a Universidade passa, e do quanto ela contribui para a cidade. Por isso, a sociedade se envolve verdadeiramente'', analisa Silvia, ressaltando a qualidade da equipe que acompanha a reconstrução. ''Engenheiros e arquitetos da cidade estão nos ajudando, concedendo todo o apoio possível. Muitos profissionais da nossa cidade estão, sob a coordenação nossa e do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil), unindo forças para reerguer o Ouro Verde'', completa, referindo-se ao projeto de reconstrução, que deve ficar pronto até o final do ano.

Serviço:
- Quem quiser contribuir pode efetuar o depósito na agência 4113 do Banco Itaú, conta corrente 14888-8. Já para o patronato de poltronas, o telefone de contato é (43) 3321-3262 ou pelo e-mail [email protected].


Cicatriz aberta
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