São Paulo, 08 (AE) - Depois de atuar no teatro amador, há 12 anos, a diretora e premiada iluminadora Cibele Forjaz interpreta um dos principais papéis da peça "A Filosofia na Alcova - Peça Destinada a Educação de Mocinhas", do Marquês de Sade, sob direção de Marcelo Marcus Fonseca, que estréia sábado, na Funarte.
É bom prestar atenção ao nome do autor e não se deixar enganar pelo título para não sair chocado do teatro. "A peça pode ser considerada ofensiva a religiões ou crenças", adverte o diretor, que também está no elenco. A "educação" do título é ministrada à mocinha Eugênia (Carolina Gonzalez) pelos libertinos madame de Saint-Ange (Cibele) e Dolmancé (Fonseca), dois personagens movidos unicamente pela busca do prazer.
Seu objetivo é justamente desconstruir a educação religiosa e toda a "moral" aprendida por Eugênia com suas "aulas de libertinagem". Apesar disso, não há nudez em cena, os toques são delicados e até na trilha sonora domina a sofisticação de Villa-Lobos. "O texto já é tão forte que optei pela delicadeza na direção", diz Fonseca.
Cibele integrou a produção para fazer a luz, que acabou ficando a cargo de Alessandra Solto, que já assinara com ela a iluminação de "Cacilda!". "Estou achando uma delícia ser dirigida." Ela define Saint-Ange como uma mulher cruel, "sádica", para quem só importa o próprio prazer. Eugênia, ela vê como um ratinho de laboratório. A experiência é testar como se desestrutura facilmente uma moral social aprendida.
Segundo Cibele, entre os méritos do texto está o de deixar claro como o egoísmo pode levar ao paroxismo da crueldade. Sem freios religiosos ou sociais, os personagens filosofam e justificam seus atos. "Se as pessoas só pensam em seu bem-estar, podem praticar as ações mais hediondas", observa Cibele. Por outro lado, ela vê a liberdade dos personagens, no que diz respeito à introjeção das normas sociais, também como mérito do texto. Eles negam as normas sociais e sentem-se livres para inventar as próprias regras. "O ideal é que consigamos isso para construir um mundo melhor."
Ao contrário da montagem de "O Balcão", de Jean Genet, dirigida por Fonseca no ano passado, cujo processo de criação foi cheio de percalços, desta vez o diretor afirma estar satisfeito. "A cumplicidade com o elenco foi total, não houve tensão, tudo fluiu muito bem."

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