Chuva atinge espaços culturais

Os livros foram os que mais sofreram com as fortes chuvas que cairam sobre Curitiba no domingo

Mauro FrassonO funcionário Marciano L. da Silva seca livros com ventilador na Biblioteca Pública do ParanáElisa Marilia Carneiro
A forte chuva que despencou sobre Curitiba durante duas horas domingo à tarde, atingiu vários locais que guardam o acervo cultural da cidade. A Bibliotecas Pública e a da Faculdade Tuiuti foram as mais atingidas. Os museus nada sofreram apesar de terem problemas com os telhados.
Parte do acervo da sala de História, Geografia e Biografias da Biblioteca Pública do Paraná ficou molhado por causa da grande quantidade de água com forte ventos que entrou pelas frestas do telhado. Os livros da Biblioteca da Faculdade Tuiuti também ficaram debaixo d’água.
Na Biblioteca Pública a água entrou pelo teto. De acordo com a diretora Marilene Milarch, a sala das três matérias precisou ser fechada ontem para que os funcionários pudessem trabalhar na tentativa de recuperação. ‘‘O trabalho é demorado e caro, porque primeiro usamos ventiladores para que as páginas não colem umas nas outras. Depois, temos de colocar uma folha de papel absorvente entre cada folha. Mas muitos não terão como recuperar’’, lamenta.
Nessas salas não há raridades, mas muitos livros são antigos e estão com a edição esgotada. O acervo deste espaço é de 30 mil volumes. Os mais atingidos ficam do lado perto da rua. ‘‘As editoras não reeditam vários desses volumes e fica muito difícil encontrá-los para repor os danificados’’, argumenta Marilene.
O local com muitas goteiras e infiltrações fica na parte mais baixa da Biblioteca Pública, em frente à Rua Ébano Pereira. Sete funcionários foram escalados ontem para o trabalho, que não tem previsão de término. ‘‘Mas não podemos demorar muito porque as páginas grudam e fica muito difícil separá-las depois de secas’’, explica a diretora.
Na Biblioteca da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Tuiuti, que fica na Rua Vicente Machado, os livros ficaram boiando. Perderam-se cerca de sete mil volumes, sem condições de recuperação. A biblioteca atende seis cursos. Além dos livros, foram para o lixo oito computadores, videocassetes, aparelhos de televisão e fitas de vídeo. A diretoria da biblioteca ainda são resolveu quando vai começar a repor os livros. As aulas foram suspensas sem data de reinício.
O diretor do Museu de Arte Contemporânea, João Henrique do Amaral, chegou cedo ontem ao museu. ‘‘Felizmente não tivemos muitos problemas. Estamos promovendo uma reforma grande e o acervo está guardado no Teatro Guaíra. Aqui só molharam alguns papéis’’, contabiliza.
Foi com grande alívio que a diretora do Museu de Arte do Paraná, Maria Cecília Noronha, verificou que nada do acervo da História da Arte do Estado foi atingido. ‘‘Nossa casa é muito antiga e sempre temos problemas com o telhado. Ontem apareceram várias goteiras, mas as obras não molharam.’’
Para facilitar a ventilação, o museu ficou com todas as janelas abertas ontem. As salas do MAC não são climatizadas e por isso as obras se adaptam à variação climática. ‘‘As obras trabalham de acordo com a temperatura’’, explica Maria Cecília. O acervo do MAC é composto de mais de mil obras entre desenhos, gravuras, pinturas, esculturas e documentos referentes à História da Arte do Paraná.
Goteiras também escorreram pelo telhado do Museu Paranaense. ‘‘A cúpula do telhado é de ardósia e sempre temos problemas com as pedras quebradas. Mas o acervo está nos primeiros andares e nada chegou a ser afetado’’, confere a curadora Zulmara Porsse.
O Museu Paranaense abriga 197 mil peças referentes à História, Arqueologia e Etnologia do Paraná. A Secretaria de Estado da Cultura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico têm um projeto para a restauração do telhado do museu, mas sem previsão de início.
Problemas antigos de telhados atingiram também o Museu Metropolitano de Arte de Curiitba e o Solar do Barão. A informação da assessoria da Fundação Cultural de Curitiba é de que nenhuma obra foi atingida. No Teatro Universitário de Curitiba, na Galeria Julio Moreira, entrou muita água mas não chegou a danificar as instalações. Da mesma forma, a Cinemateca sofreu com goteiras, mas que não molharam o acervo.

mockup