Ilustração: Douglas MayerOs ataques às ovelhas na região de Campina Grande do Sul, perto de Curitiba, já renderam diversas teorias: pumas, onças, lobos-guará e cachorros foram os principais suspeitos de morder, cortar as orelhas, chupar o sangue e matar parte do rebanho local. As especulações envolveram até rituais macabros. Mas o que pegou mesmo foi a história do chupa-cabras, ser misterioso que surgiu como explicação dos fatos.
As matérias publicadas pela imprensa foram discutidas nas mesas de bares, colégios, programas de rádio e televisão . Não foram poucos os adolescentes que ganharam o apelido, e em Londrina o animal virou até adesivo de carro, estampando a frase ‘‘Eu acredito em chupa-cabras’’.
A repercussão foi grande e atraiu as atenções de dois articulistas da Folha, que discutiram, semana passada, o laudo elaborado pelos especialistas do Zoológico de Curitiba e do Instituto Ambiental do Paraná - que examinaram as vítimas e alguns pêlos encontrados no local e concluíram que os culpados seriam cães domésticos. Mas não faltam testemunhas que afirmam ter topado com o bicho cara a cara. Uma delas teria visto o chupa-cabras, ou algo similar, na região de Ortigueira, no mês de abril, e procurou a Folha para contar sua história.
Meninos, eu viA dor-de-cabeça pegou Paulo Roberto Galbes de surpresa, em plena madrugada. Como ela insistisse em atrapalhar o sono, Galbes se levantou para procurar um remédio. Instalado em uma pequena casa - à beira da Serra do Cadeado, em Mauá da Serra -, o pescador percebeu um vulto no carreador que dava acesso ao abrigo.
Ainda sonolento, Galbes notou que o vulto era para lá de esquisito. O animal atravessou a estrada e se apoiou nas patas traseiras para espiar uma árvore no caminho. Como nada encontrou, deu meia-volta e atravessou o carreador novamente. Em dúvida entre buscar uma arma e perseguir o bicho ou voltar para a cama, o pescador - que possui uma panificadora em Londrina - optou pela segunda alternativa.
A imagem do bicho perseguiu-lhe a mente até que Paulo Roberto viu uma ilustração do chupa-cabras em matéria da Folha. ‘‘Era muito parecido com o que vi, maior que um cachorro, com o focinho bem fino e não fazia nenhum ruído’’, comenta. Para quem duvida de seus conhecimentos biológicos, Galbes explica que já foi caçador e conhece muitos animais, como o tamanduá-mirim, cachorro ou capivara - comparações lembradas pelos amigos e imediatamente descartadas pela testemunha.
‘‘Não posso garantir que eu vi o tal chupa-cabras, mas o animal era parecido com o desenho do jornal. E vi com nitidez, pois ele estava a cerca de 20 metros de distância, apenas. Posso afirmar que nunca encontrei nada parecido’’, ressalta.
Mais históriaPaulo Roberto não foi o único que diz ter visto um animal semelhante à ilustração do chupa-cabras. André Barros Aguiar, de Londrina, mandou uma carta para o jornal narrando uma perseguição sofrida na Rodovia Celso Garcia Cid em 1990. Ele afirma na carta, publicada no dia 18 de maio, que pedalava pela estrada rumo ao trabalho quando se deparou com ‘‘uma criatura anormal’’. André Aguiar afirma ainda que foi perseguido por cerca de um quilômetro.
Mas, se o chupa-cabras virou mania, a coisa não se restringe ao Paraná. Existem testemunhas do bicho em Capivari, interior de São Paulo, onde ele teria atacado um ser humano. O animal teria morrido dias depois, e fotos do cadáver chegaram até a Unicamp, conforme matéria publicada em 11 de maio.

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