CHUCHO VALDÉS BRILHA EM FESTIVAL CUBANO
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terça-feira, 05 de junho de 2001
Guto Rocha De San Juan 
A temporada de furacões começou bem em Porto (Puerto) Rico neste ano Bem no melhor sentido da palavra, já que a primeira tormenta foi musical. O 11º Puerto Rico Heineken Jazzfest 2001, que terminou no domingo, balançou o público que esteve no Anfiteatro Tito Puentes. A variedade de ritmos que se ouviu durante quatro dias mostrou passou desde o tradicional jazz norte-americano, os ritmos caribenhos e a música popular brasileira.
Neste ano, o evento prestou homenagem ao genial pianista Jesús Chucho Valdés. Chucho se apresentou espetacularmente em dois dias de Heineken Jazzfest.
As apresentações foram arrebatadoras e o músico cubano mostrou por que é considerado pela crítica especializada o mais influente pianista cubano de jazz. Com uma elegância única, Chucho toca piano com uma destreza e agilidade espantosas. A impressão que se tem ao vê-lo tocando é de que o instrumento e o corpo do músico fazem parte de um só ser. Na primeira noite de apresentação, com o Chucho Valdés Quartet, o músico conseguiu envolver toda a platéia. Na mesma noite ele se juntou com dois grandes músicos. Primeiro, ele convidou o também pianista Michel Camilo para subir ao palco um duelo que levou o público ao delírio.
No encerramento do Puerto Heinnekin Jazzfest, Chucho veio acompanhado pelo grupo cubano Irokere que ele criou em 1973. Um dos momentos mais fortes da apresentação foi a execução da música Zaraith, que conseguiu deixar a platéia em êxtase. Mesmo sendo ao ar livre, o anfiteatro ficou em silêncio para reverenciar os músicos do grupo principalmente o solo do sax de Irving Acao. Outro show foi o vocal de Mayra Caridad Valdés (irmã de Chucho) que com uma alegria contagiante e voz poderosa levantou os ouvintes.
Outra grande figura do festival foi o cantor norte-americano George Benson, cuja apresentação foi recheada de hits, como o Give me the Night e uma deliciosa homenagem a Ray Charles ao interpretar Georgia on my Mind. Estranhamente ele não apresentou nenhuma das canções do mais recente disco, The Guetlo.
Além de algumas músicas brasileiras apresentadas por alguns participantes do festival, o Brasil esteve bem representado no evento pela cantora, compositora e pianista Tânia Maria. Sua voz forte e uma incrível habilidade de jogar com esquetes vocais derramando o molho para sua apresentação. Definitivamente, a sua participação mostrou o quanto a música brasileira é prestigiada no exterior. Tânia, também impressionou com sua agilidade a piano, principalmente quando tocava com uma mão num piano de cauda e com outra, num velho teclado Yamaha DX7. A cantora também conseguiu fazer a platéia cantar em coro um dos clássicos de Jorge Ben Jor, Mais Que Nada.
O Brasil também foi lembrado pelo baixista Ron Carter, que com elegância e competência inquestionáveis, juntou-se ao harpista uruguaio Roserê Perera para interpretar O Que Será, de Chico Buarque.
A partir do dia 20, os brasileiros terão a chance de ver e ouvir em São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro a genialidade e o virtuosismo do grande pianista Chucho Valdés. O cubano estará no Brazil para apresentação com seu quarteto. Uma rara oportunidade para os amantes do jazz e da boa música.


