Chrystian em disco solo
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quarta-feira, 06 de setembro de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
A vida como ela é: Chrystian está na praça com CD novo, Beijo Final, lançado pela BMG, enquanto o irmão Ralf permanece na lenga-lenga entre retomar a carreira artística ou mudar-se para os Estados Unidos, plano que vinha acalentando nos últimos tempos. Chrystian não tem paciência em ficar vendo a banda passar mergulhado na divulgação do disco, ensaia intensivamente um show que estreará nos próximos dias em São Paulo.
É assim o artista que começou a cantar aos 9 anos de idade e não vê outra perspectiva de vida sua vida é o palco, o estúdio, o contato com músicos e público. Satisfeito com a resposta dos fãs ao seu Beijo Final saúda estes tempos como um saudável recomeço. Foram dez anos de carreira cantando apenas em inglês de 1973 a 1983 , oculto nas tintas do marketing da gravadora como sendo um cantor norte-americano. Os 16 anos seguintes passou junto do irmão na dupla Chrystian e Ralf.
Na carreira solo este é o primeiro disco que gravo em português. Deveria chamar-se Chrystiann Volume 1. A gravadora não quis, explica o moço. A sugestão do cantor mostra que ele está confiante na nova investida. Mesmo os fãs estão próximos: Até agora só fiz programas de televisão, e não notei estranhamento com o fim da dupla, afirma.
Das 14 músicas de Beijo Final, cinco são composições próprias, uma versão (do megasucesso My Way), e da parcela restante encontram-se números assinados por Lenine/Dudu Falcão (O Amor Tá Procurando), Michael Sullivan/ Carlos Colla (Tudo é Possível), José Augusto/Augusto César (Vem ser Feliz).
O disco tem uma sonoridade diferente; aliás, tem um monte de novidades sonoras e instrumentos que não usei em outros trabalhos, adianta Chrystian. É o caso do órgão Hammond e das guitarras que produzem um som característico dos anos 70. A alquimia entre passado e presente gerou timbres dos 70 com outros ecos, ou seja, com uma sonoridade atual. Seria esta uma saudade explícita do passado? Há mais ou menos um certo saudosismo modernizado, concorda o cantor.
Ao trazer de volta esses timbres, Chrystian não está de olho no jovem de então que presenciou o nascimento de outros ídolos como o grupo Pholhas, Terry Winther e Morris (todos brasileiros de secreta identidade). O comprador de seus discos, hoje, situa-se na faixa dos 10 aos 25 anos.
No encarte de Beijo Final o artista agradece em primeiro lugar a Deus e meu amigo Jesus pela proteção e inspiração, e no plano terreno cita desde o amigo Amado Batista (um sábio) até os funcionários do estúdio, do marketing, à mãe e à esposa. O grande ausente da lista é o irmão.
A dupla deixou de existir no dia 5 de outubro de 1999, e três semanas depois Chrystian estava na BMG. Impulsionado a ir sempre para a frente, ele usa um ditado impublicável para sublinhar que o passado não tem volta. Com essa frase deixa claro que a dupla dificilmente será reatada. Já a amizade rompida com o irmão é coisa passageira.
Ralf não gostou do fim da parceria, cortou as relações e Chrystian não esconde o incômodo que isso causou. A dor só não doeu tanto e diluiu com o passar dos dias porque ele se entregou ao trabalho da confecção do disco. Fui limpando minha cabeça e saí para a carreira solo, comenta. O irmão flerta a gravação de um CD, e esse é um fato extremamente importante para o autor de Beijo Final.
Ele não pode parar, ele canta muito bem, insiste Chrystian, que está compondo uma música especialmente para ele. Ontem fiz um refrão que ficou maravilhoso. Vai ser uma música linda, e meu irmão vai aceitar, aposta. O silêncio imposto entre os dois traduz um amor machucado. O sentimento de fraternidade permanece em alta.
Tanto é verdade que Chrystian se incomoda com a lentidão de Ralf em retomar a carreira. O tempo é um trem que vara a eternidade, sem devaneios nem paradas. Neste mercado, em seis meses o sujeito morre, diz, quase aflito. O disco do Ralf está demorando demais. As coisas rodam muito rápido, o público é fiel, mas esquece rápido. Ele canta bem demais, é besteira parar. Agora tem que dar certo para mim e para ele, nós dois em novas carreiras.


