Mudanças fazem parte da vida de qualquer jornalista. Depois de trabalhar na cobertura de fatos históricos – como o funeral da princesa Diana, em 1997, a eleição do papa Bento XVI, em 2005, e fazer reportagens sobre as Olimpíadas de Atenas, na Grécia, em 2004 –, Christiane Pelajo encara um novo desafio. Após quase 11 anos como âncora e editora do "Jornal da Globo", a jornalista saiu da produção de forma repentina e cheia de teorias da conspiração. Quatro meses depois, ela volta à GloboNews para apresentar o "Jornal da GloboNews – Edição das 16 h", a partir de hoje. "Há anos eu ia dormir às 4h30 da manhã. Já queria e pedia para trabalhar em horários mais normais. Meu casamento era só no final de semana, precisava ter vida pessoal", diz, com bom humor.
Quatro meses após sua saída repentina do "Jornal da Globo", ela se prepara para voltar ao ar em um programa diário com uma hora e meia de duração. Com pouco tempo entre uma produção e outra, Christiane garante que quer fazer tudo diferente. Longe do formato sisudo do telejornal global, o objetivo é criar um clima mais intimista nessa nova fase. "Queremos fazer um jornal mais moderno, jovem e ousado. Com a minha cara", afirma. Para isso, o cenário foi pensado para diminuir as distâncias entre a apresentadora e o público. Sem bancada, o estúdio atende às necessidades específicas de cada dia do programa. Dois telões, um púlpito de apoio para a jornalista e apenas cadeiras para acomodar os possíveis convidados formam o cenário. "A bancada é um obstáculo entre o apresentador e o público", opina.
O "Jornal da GloboNews – Edição das 16 h" terá poucos quadros fixos. Um deles será a "Lupa", uma coluna de checagem de informação já bem usada em telejornais estrangeiros. Duas vezes por semana, a jornalista Cristina Tardáguilla conduzirá uma equipe espalhada pelos quatro cantos do mundo para apurar a veracidade de informações divulgadas por diversos setores, que podem variar de política a boa forma. "Por exemplo, se um político disser que criou oito creches durante seu mandato, vamos checar se é verdade", explica Christiane. Além disso, ela vai receber personagens para debater temas específicos. "Se formos falar sobre desemprego, vou receber alguém que esteja desempregado no estúdio para falar sobre isso", antecipa.
A agilidade de informações e a interação com o público, segundo a jornalista, vão ser as características mais marcantes do "Jornal da GloboNews – Edição das 16 h". "O mundo está bombando nesse horário, as coisas estão acontecendo em tempo real", acredita. Outro desejo da apresentadora é retomar a sua função de repórter, parte que ficou meio esquecida durante a década na Globo. "Adoro estar na rua, apurando notícias, indo até a informação. E vou voltar a fazer isso. Não sei como vai ser ainda, se vão ser reportagens específicas ou quantas vezes por semana irão ao ar. Mas vou voltar às ruas", conta, empolgada.
Aos 44 anos, a carioca vê com naturalidade sua volta para a GloboNews. Formada em Jornalismo pela PUC do Rio de Janeiro, ela trabalhou na emissora entre 1996 a 2005 – ano que deixou a emissora a cabo para se transferir para a bancada do "Jornal da Globo". "Acho que na tevê fechada dá para ousar mais", jura. Os 11 anos que passou afastada do canal serviram, segundo ela, para um amadurecimento de ambos os lados. "Chego mais preparada e o canal também cresceu muito. Não vejo como demérito sair da Globo e voltar à GloboNews. Tenho um jornal meu de uma hora e meia. Quem não quer isso?", diz, confiante.

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