Chove no palco do Teatro Ouro Verde
Há alguns dias, durante a apresentação do grupo Neuma, de música antiga, choveu no palco do Teatro Ouro Verde. ''Escorria água pelas paredes do camarim. No palco, goteiras molharam as teclas do piano e as partituras. O instrumento precisou ser deslocado para um lugar onde apenas 'garoava'. O incidente atrapalhou o início do concerto. Acho um desrespeito com um desrespeito com os músicos. Somos da casa, mas e se fosse um artista de fora? Ele teria que paralisar o concerto?'', indaga a pianista Rebeca Adriane Moraes.
Infiltração é apenas um dos problemas detectados na principal sala de espetáculos da cidade, edificação tombada como patrimônio histórico devido a sua importância arquitetônica e cultural. Poltronas cujos assentos soltam-se facilmente devido a madeira de qualidade ruim e os pinos curtos, mau cheiro exalado pela madeira utilizada no assoalho, problemas na rede elétrica, azulejos dos banheiros que se descolam facilmente, utilização dos banheiros pelos transeuntes, pastilhas das colunas sujas e parcialmente destruídas, lâmpadas dos letreiros queimadas. Parte das irregularidades foi constatada após uma reforma ocorrida em 2002, por meio do projeto Velho Cinema Novo, na gestão de Jaime Lerner. A restauração custou mais de R$ 3 bilhões, pagos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Já em agosto de 2003 uma comissão vistoriou o local e entre os problemas detectados constavam uma deficiência no sistema de ar condicionado, o mau cheiro exalado pelas madeiras utilizadas no assoalho, problemas na rede elétrica e poltronas. Sem condições de funcionar, o teatro foi interditado e permaneceu fechado por dois anos para que as irregularidades fossem solucionadas. O Teatro Ouro Verde foi reaberto ao público em junho de 2006.
Desapontada com a situação do teatro, que já foi apontado como um dos mais importantes da América Latina, a diretora da Casa de Cultura da UEL, Janete El Haouli, encaminhou há alguns meses ao reitor da universidade, Wilmar Marçal, um relatório com todas as irregularidades constatadas desde a última reforma do Ouro Verde. A assessoria de imprensa da universidade informou que a Prefeitura do Campus substituiu algumas telhas e está fazendo adequações em parte do piso e do camarim. A respeito da infiltração, a UEL informa que não recebeu qualquer solicitação de reparo. (C.V).





