Choro vai do quintal ao livro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de outubro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
O choro, manifestação musical autenticamente brasileira, tem cerca de 150 anos e uma história contada e recontada em alguns livros esparsos. A primeira obra a ir fundo nas suas raízes, chegando até os dias atuais, chama-se Choro - do Quintal ao Municipal, de Henrique Cazes. O livro será lançado amanhã (sábado), a partir das 10 horas, na Livraria Werk, em Curitiba.
Surgido ainda antes do samba, nos quintais da periferia carioca, o choro saiu dos arrabaldes para ingressar na música erudita de Villa-Lobos, Francisco Mignone, Guerra-Peixe, Radamés Gnattali.
Uma trajetória obviamente acidentada, porque a cultura popular é sempre recebida com reservas pelos donos do poder. Chegar aos nobres palcos municipais é a comprovação da persistência da arte, e da coragem dos músicos que a acolheram, contrariando os esnobes.
Nas 214 páginas do livro estão desde os pioneiros A.S. Callado e Anacleto de Medeiros, até os contemporâneos Paulinho da Viola e Hermeto Pascoal. A história recente do choro é contada a partir de entrevistas com Joel Nascimento, Déo Rian e Cesar Faria, entre outros.
Uma roda de choro dará ritmo e cor ao lançamento do livro de Henrique Cazes. Embora tradicionalmente os chorões se reúnam na livraria nas manhãs de sábado, desta vez é diferente. O autor de Choro - do Quintal ao Municipal, é o melhor solista de cavaquinho da atualidade.
Foi um dos idealizadores da Orquestra de Cordas Brasileiras, da Orquestra Pixinguinha e da Camerata Carioca - grupos que agregaram alguns dos melhores instrumentistas de cordas do Brasil. Ao lado do violonista João Egashira e do clarinetista Sérgio Albach e convidados, deverá dar uma palhinha. Enfim, uma manhã de leitura e audição.


