CHORO TRATADO COM RESPEITO
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Com 150 anos de existência, o choro é uma instituição nacional de brilho próprio, mesmo ocupando estreitos caminhos. Ainda assim, neste século e meio foi parar em discos, filmes, livros, dança e alguns de seus clássicos ganharam ares internacionais, como Tico-tico no Fubá, de Zequinha de Abreu. O gênero vai ganhar agora, senão um status respeitável, pelo menos um inequívoco reconhecimento: uma gravadora voltada exclusivamente a ele.
A Acari Records, criada por Maurício Carrilho e Luciana Rabelo, começará a funcionar no mês de fevereiro, sem data definida. Está prevista uma série de lançamentos, mas a comercialização será feita unicamente pela internet, através dos endereços eletrônicos acari.com.br ou acarirecords.com.
As formas de pagamento irão do depósito bancário aos cartões de crédito. Dentro de algumas semanas estará disponível uma página na internet com detalhes de cada lançamento, e explicando passo a passo as operações para se adquirir os CDs.
Três discos serão lançados simultaneamente, dando início às atividades da Acari: um de Luciana Rabelo seu primeiro trabalho solo , do flautista Alvaro Carrilho, pai de Maurício, executando suas próprias composições, e o terceiro do também flautista Leonardo Miranda.
Este último é um jovem instrumentista de 28 anos que estréia no disco, interpretando repertório inédito de Joaquim Antonio Callado. O compositor é considerado o chorão número 1 da história, mas também nunca teve um disco voltado unicamente à sua obra.
Na próxima leva em abril Maurício Carrilho lança seu primeiro trabalho solo como compositor. Neste CD só tem músicas compostas e arranjadas por mim, para diversas formações instrumentais, diz. Entre os músicos que participam desse disco estão o trompetista Jessé Nascimento, o tio Altamiro Carrilho, o saxofonista e o clarinetista Proveta.
Na fila de lançamentos estão o CD solo de Índio do Cavaquinho, chorão da velha guarda que irá gravar seus inéditos, do flautista Altamiro Carrilho e de um quarteto formado por Proveta, Pedro Amorim (violão tenor), Jorginho do Pandeiro e Maurício Carrilho.
Tem muita coisa programada e acredito que nos próximos meses deverão sair pelo menos uns 12 CDs de choro, comenta o músico. A Acari é um projeto que vem sendo desenvolvido há quase três anos, contando-se aí a construção do estúdio, organização da empresa e do grupo de músicos que responde pela área artística.
Cabem a eles as responsabilidades dos arranjos, composições, execuções. Agora vamos começar a produção. Vai ser muito legal; será um espaço importante para o estudo e desenvolvimento do choro, que é um gênero fundamental para a música brasileira, considera Maurício Carrilho. Ele aposta que irá de encontro ao público em geral, e não somente aos aficionados. Qualquer pessoa que goste de boa música vai gostar daquilo que a gente estará fazendo, afirma.





