A um mês das comemorações do Dia Nacional do Choro, os apreciadores do gênero podem festejar a data com antecedência. Acaba de chegar às prateleiras um ''Almanaque do Choro'' (Jorge Zahar Editor), trazendo um resumo dos quase 150 anos de história do ritmo. O autor é o pesquisador André Diniz, cujo currículo inclui uma biografia infanto-juvenil de Pixinguinha.
Como todo almanaque que se preze, este serve como um guia introdutório aos leitores reunindo desde cronologia e depoimentos de músicos a curiosidades e dicas de discos, livros e lista de endereços onde se pode ouvir choro sem ser incomodado. A publicação inclui fotografias e textos explicativos sobre os instrumentos utilizados na execução.
O lançamento vem a reboque da redescoberta do gênero, que experimenta um novo ciclo de efervescência, como nota Maurício Carrilho no prefácio. ''O choro vive uma de suas mais férteis safras'' escreve ele. ''Músicos de extraordinário talento vão surgindo, ótimos grupos são formados e uma quantidade de novos choros é composta num movimento sem precedentes na nossa história''.
Considerado ''a alma musical do povo brasileiro'', nas palavras de Heitor Villa-Lobos, o choro é revisitado no almanaque a partir de suas origens no Rio de Janeiro do final do século 19, quando instrumentistas boêmios se reuniam para animar festas em cortiços das camadas populares, bailes da classe média e salões da elite da corte de D. Pedro II.
Pixinguinha, o maior chorão de todos os tempos, ganha um capítulo especial. A época áurea do rádio, entre os anos 40 e 50, é relembrada através dos conjuntos regionais e de solistas como Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho, Abel Ferreira e Canhoto. Em seu painel, o autor focaliza ainda o boom do choro na década de 70 e o choro cantado até chegar aos dias atuais com a penetração do gênero em conservatórios e universidades em contraponto ao abandono dos quintais.
Ao lado de personagens clássicos, desfilam pelas páginas nomes como Henrique Cazes, Oswaldo Colagrande, Leonardo Miranda, Yamandú Costa, Márcio Hulk, Orquestra de Cordas Brasileiras, Água de Moringa, Maogami, Nó em Pingo d'Água e Rabo de Lagartixa. Ao abordar a explosão contemporânea do choro, André Diniz situa as mudanças verificados nos formatos e timbres, além de mapear os celeiros de músicos, grupos e compositores.
Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Brasília são sublinhados como os principais núcleos de chorões do país. A conquista do exterior também é ressaltada. ''Ultimamente o gênero alçou vôo para outras paragens. Músicos americanos, alemães, venezuelanos e japoneses têm se especializado no repertório. Grupos de choro e solistas brasileiros são convidados com muita frequência para turnês internacionais'' afirma.
Ao final do volume, ele oferece páginas generosas ao leigo contando um pouco sobre cada um dos instrumentos que compõem os conjuntos de choro. Mais: recomenda CDs (com ajuda do flautista Leonardo Miranda), sugere livros, indica pontos de venda e aponta lugares (em várias cidades) onde o choro domina o palco e a preferência da platéia.
Serviço:
Almanaque do Choro. Autor: André Diniz. Lançamento: Jorge Zahar Editor (tel. 21/2240-0226). Preço: R$ 22,50.

mockup