CHORO E JAZZ NO OURO VERDE
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segunda-feira, 10 de julho de 2000
Francelino França De Londrina 
Obras de Pixinguinha e Charlie Parker estão no repertório do principal show do 20º Festival de Música de Londrina, que acontece às 20h30, no CIne-Teatro Ouro Verde. Duas oficinas estão na pauta a primeira de choro e a outra de jazz. O encontro promete. Músicos do calibre de Joel Nascimento, Oscar Bolão, Luiz Otávio Braga, Jorge Oscar, Djalma Lima e Sergio Reze esquentam a programação.
Abrindo a noite com um som genuinamente brasileiro, a Oficina de Choro mostra a força do gênero, pescando pérolas de bambas como Jacob do Bandolim (Noites Cariocas), Pixinguinha (Lamento), Ernesto Nazareth (Apanhei-te Cavaquinho).
Joel Nascimento, encabeçando a lista dos músicos, dispensa apresentações, batendo ponto pela quarta vez em Londrina. Joel se dedica há 25 anos ao bandolim, instrumento que o projetou internacionalmente. Tem 12 CDs individuais e já tocou ao lado de Arthur Moreira Lima, Paulo Moura e Egberto Gismonti. Se apresentou incontáveis vezes no exterior nos Festivais de Nice, Novo México e Montreux, gravando CDs no Japão e Estados Unidos.
Basicamente, a música brasileira é o choro, que é anterior ao samba, explica Bolão, marcando presença pela terceira vez no Festival. O baterista e percussionista transita pela música popular, erudita e contemporânea em 26 anos de carreira. Bolão avisa, em primeira mão, que prepara o livro Batuque é um Privilégio, sobre a percussão produzida no Rio de Janeiro.
Luiz Otávio Braga também é figura conhecida em Londrina, de outros encontros musicais em noites frias no Ouro Verde. Violonista e compositor, Braga também bebeu na fonte de Radamés Gnattali, influente maestro e compositor brasileiro. Luiz Otávio se apresentou com a Orquestra Sinfônica Brasileira, Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de janeiro e San Antonio Orchestra (Texas - USA), entre outras.
Fazendo parte da trupe do Choro, Jayme Vignoli, consagrado mestre do cavaquinho, foi seduzido pelo som do instrumento aos 13 anos. Já abocanhou três Prêmios Sharp e se apresentou no Free Jazz Festival e atualmente é integrante do conjunto Água de Moringa. Essa é a quinta participação de Vignoli no Festival de Música de Londrina. No currículo do garoto (ele tem 33 anos) constam gravações com os maiores nomes da MPB (de Beth Carvalho a Adriana Calcanhotto), direção musical de filmes e parcerias com grandes compositores como Aldir Blanc.
Os músicos participantes da Oficina de Choro rendem homenagem ao maior especialista em gravação de música ao vivo, Frank Justu Acker, carioca, morto no final do ano passado, responsável pela gravação de apresentações memoráveis do Festival de Música, inclusive a edição de 1999.
Da Oficina de Jazz, Djalma Lima (guitarrista) e Sérgio Reze (baterista) adiantam parcialmente o programa a ser apresentado. Isso porque, algumas músicas podem ser incluídas minutos antes da apresentação, escolhidas nos camarins. Afinal, o improviso é a alma do jazz. Além de composições próprias, como o Baião, eles reverenciam standarts do Jazz e grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Ivan Lins (Dinorah, Dinorah) e Tom Jobim (Chovendo na Roseira).
Sérgio Reze está com todo gás. Nesse ano, mostrou o suingue da nossa música no Festival de Montreux, lançou dois CDs como produtor e baterista Junina e Odisséia além da participação no novo CD da cantora Beth Wooley. O guitarrista Djalma Lima atua como professor do Instituto de Guitarra e Tecnologia de São Paulo, além de tocar no programa humorístico Sai de Baixo, da Rede Globo.
Completando o time jazzístico, estão Rafael dos Santos (piano), compositor, arranjador e professor de música popular e erudita e história do jazz na Unicamp; Vinícius Dorin (saxofone), com o passaporte carimbado nos principais festivais de jazz do mundo e professor de festivais de Música de Ouro Preto, Tatuí e Campos do Jordão; e Jorge Oscar (contrabaixo), leciona contrabaixo acústico e elétrico na Unicamp, e teve participações em CDs de artistas de peso no cenário nacional como João Donato, Gal Costa e Ed Motta.
Os professores das duas oficinas fazem uma constatação sobre o nível dos alunos nessa 20ª edição do evento musical, confirmando o excelente nível técnico e o crescimento na concepção musical. Por isso, estamos torcendo para o Festival de Música de Londrina ter continuidade. Promovendo esse evento, o governo não está fazendo favor e sim uma obrigação, defende Oscar Bolão.


