Choro com 'espírito' de gafieira
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Se você frequenta o circuito de shows em Londrina, provavelmente reconhecerá os integrantes do grupo Ódoborogodó. É que todos eles tocam ou tocaram em outras bandas locais de jazz, rock e música celta. Há cerca de 5 meses, porém, os quatro instrumentistas decidiram se juntar para a execução de choro.
Ódoborogodó é formado por Arrigo (sanfona), Edgar (pandeiro), Nego (violão 7 cordas) e Marcos pajé (cavaquinho). O grupo é a atração musical de hoje do projeto ''Curta o Som'', realizado quinzenalmente no bar Quebra Gelo em parceria com a produtora de video e cinema Kinoarte.
O show, previsto para começar às 21h30, será precedido pela exibição de dois documentários em curta-metragem: ''Chorinhos e Chorões'' (rodado em 1974 pelo diretor Antonio Carlos Fontoura) e ''A Última do Amigo da Onça'' (produção de 2005 de Terêncio Porto). O primeiro retrata a trajetória do gênero musical focalizando suas origens na cidade do Rio de Janeiro do século XIX.
Com 11 minutos de duração, destaca seus primeiros compositores, as gerações seguintes, a formação instrumental dos conjuntos pioneiros, o papel dos instrumentos e a evolução de todos esses elementos. O filme traz apresentações musicais de Luperce Miranda, Raul de Barros e grupo Época de Ouro. A narração é de Hugo Carvana e o texto é baseado no livro homônimo de Lúcio Rangel, que também contribui com um depoimento.
O segundo curta, ''A Última do Amigo da Onça'', traz uma narrativa em ficção ambientada no último dia do ano de 1961 registrando um encontro imaginário do cartunista Péricles de Andrade Maranhão com sua criatura, o Amigo da Onça, o mais famoso personagem do cartum brasileiro das décadas de 50 e 60. O filme tem duração de 17 minutos.
Em seguida, o Ódoborogodó sobe ao palco com um repertório incomum para as apresentações de choro por incluir temas de artistas desvinculados dos cânones do gênero como Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e Sivuca. ''Não pretendemos nos apresentar como um grupo de choro tradicional. Partimos do princípio de que, além de ser um gênero musical, o choro é um jeito de tocar. Assim, qualquer composição pode ter a pegada do choro, desde uma valsa até um baião e uma Bossa'', explica Osório ''Nego''.
Essa ''pegada'', segundo ele, se traduz em harmonias mais evoluídas e melodias mais elaboradas. De acordo com o músico, futuramente o grupo planeja ampliar o repertório embutindo samba, frevo e composições do acordeonista Toninho Ferraguti. ''Nosso som é bem pra frente, bem animado, está mais para gafieira do que para a melancolia'', salienta.
Como toda apresentação de choro, o evento de hoje à noite poderá acabar numa roda com participação de chorões de várias idades no palco. ''Está acontecendo esse encontro de gerações em todo o País, especialmente em Brasília e no Rio de Janeiro, onde ocorre o movimento Choro Novo'', ressalta Nego, para quem Londrina também experimenta uma relativa ebulição em torno do ritmo.
''Ao longo do ano passado tivemos, por exemplo, uma oficina permanente de choro na Casa de Cultura da UEL. Antes, durante 10 anos, tivemos rodas de choro às sextas-feiras no bar Sabor & Ar. O que ocorre é que o choro se manifesta na tangente, nas casas e quintais, e deixa de ter visibilidade. Mas ele está vivo, pulsando e nosso objetivo é não deixá-lo morrer'', assinala.
Uma decoração especial será montada no bar, incluindo instrumentos e objetos antigos associados ao choro.
Serviço
- Curta o Som com show do grupo Ódoborogodó e exibição de documentários sobre choro
Quando - Hoje às 21h30
Onde - Bar Quebra Gelo (Av. JK, 426)
Couvert - R$ 5


