Os entusiastas do choro não têm do que se queixar. O gênero voltou a atrair seguidores na virada do milênio contando inclusive com uma gravadora especializada a já estabelecida Acari Records para manter e revitalizar sua tradição no país.
A tendência parece ter ecoado em Londrina, onde as noites ''do choro'' tornaram-se uma das atrações mais festejadas de seu Festival de Músical anual. Mais do que isso. ''O interesse pelas oficinas que realizamos durante o evento é tão grande que temos dificuldades para controlar as inscrições'' conta Luiz Otávio Braga, professor, violonista e um dos nomes mais respeitáveis do gênero.
Figura carimbada do Festival, para o qual é convidado desde 1995, o músico volta à cidade hoje para orientar mais uma oficina de choro, desta vez como um programa de extensão da UEL. As atividades começam hoje às 14 horas e terminam no domingo. A Oficina será ministrada no Prédio da Música, no Campus Universitário como parte do projeto Concertos Matinais.
Na aula inaugural, Braga abordará a história do choro destacando como foram formuladas as primeiras experiências instrumentais e como ele se constituiu em gênero musical. ''O objetivo é fornecer uma substância histórica-musicológica aos alunos'' diz ele. Partindo do conceito de que o Choro Instrumental é uma forma de execução, Braga pretende trazer às aulas os repertórios clássico e contemporâneo e formar grupos variados.
O programa tem continuidade às 16 horas com a distribuição dos trabalhos práticos. Para amanhã e sábado estão previstas práticas dos conjuntos de choro. Para domingo, um ensaio geral reúne todos os músicos às 9 horas no Teatro Crystal Palace. Em seguida, os grupos formados mostram o que aprenderam para a platéia.
O professor está empolgado com o novo convite. Diz que Londrina tem um passado no choro e que ''a continuidade da tradição está garantida por mais 20 ou 30 anos, graças aos jovens que participaram das oficinas do Festival de Música''. Braga é de Belém do Pará, mas tornou-se cidadão carioca desenvolvendo larga atividade como instrumentista e arranjador.
Já tocou em diversas formações incluindo a Camerata Carioca (liderada pelo grande Radamés Gnattali), a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a Orquestra de Câmara do Brasil, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, a Orquestra de Câmara de Blumenau, a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina, a Orquestra de Música Popular de Curitiba e a San Antonio Orchestra (Texas USA).
Atualmente é professor do Departamento de Educação Musical do Instituto Villa-Lobos da Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO), onde ministra as disciplinas Violão Popular, Prática de Conjunto e Música e Indústria Cultural. É Doutor em História Social pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A Oficina de Choro tem apoio institucional da Universidade Estadual de Londrina/Casa de Cultura/CECA, TV Coroados e patrocínio do Consórcio União através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura/Secretaria Municipal de Cultura/Prefeitura do Município de Londrina.

mockup