Chorão faz 16 anos de carreira
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segunda-feira, 23 de junho de 2008
Marco Bezzi<br> Agência Estado 
Pintar Chorão apenas com o adjetivo polêmico seria uma forma preguiçosa de compor uma das figuras mais aparecidas do rock nacional na última década. Alexandre Magno Abrão, 38, o cantor e dono do Charlie Brown Jr., completa 16 anos de uma carreira em que o coro comeu entre safanões, brigas, sucessos e boletins de ocorrência.
São sete discos de estúdio, um roteiro de filme (de ''O Magnata'', em 2007) e um Acústico MTV salpicados com processos judiciais vindos de pares díspares como do vocalista do Los Hermanos Marcelo Camelo (em 2004, por agressão) e - surpreendentemente - dos próprios companheiros de sua banda, capitaneado pelo baixista Champignon, em 2005 (quando três integrantes do Charlie Brown decidiram sair do grupo).
De pouco papo, a última aparição do bad boy do rock nacional foi ao lado da cantora Vanessa da Mata em apresentação para o Estúdio Coca-Cola. O lançamento de uma coletânea em maio (''Perfil, Som Livre'') trouxe seus versos novamente à mídia. Sem querer conversar pessoalmente ou por telefone, Chorão concedeu esta entrevista por e-mail.
O Charlie Brown Jr. é uma banda veterana, com mais de 15 anos. Você não se sente um tiozão na frente de toda a molecada?
Não, não me sinto, pelo contrário. Me sinto, sim, privilegiado de poder fazer o que gosto, da maneira que quero e não acho que tenho que me sentir mal por ser analisado e julgado por pessoas preconceituosas que se sentem mal ao verem um cara com a minha idade independente, bem-sucedido e fazendo o que gosta. Espírito jovem é ter a mente aberta, não tem nada a ver com idade.
Sua imagem ficou ligada a de um brigão por fatos do passado. Como você encara essas críticas?
Encaro de forma natural, pois infelizmente é da natureza humana especular e falar insistentemente a respeito de coisas negativas, ao invés de fatos positivos. Por exemplo, o fato de eu já ter ganhado um Grammy, de ter escrito e produzido um filme e sua trilha sonora - e os mesmos terem sido premiados pelo festival da Fiesp -, do pavilhão que o hospital do câncer de Barretos construiu com recursos arrecadados com shows do Charlie Brow Jr. (ao longo de mais de cinco anos) - que leva o nome do meu pai. No meio disso tudo, pra quem sabe realmente quem eu sou e o que é o Charlie Brown, essas críticas perdem a relevância.
Existe vantagem em ser o dono da própria banda?
A vantagem é poder decidir que rumo tomar e a desvantagem é ter de arcar com todas as despesas, que são muitas.
Você sente falta dos integrantes que passaram pelo Charlie Brown durante todos esses anos?
Todos os ex-integrantes tiveram a sua importância na história da banda, mas vivo no presente, em direção ao futuro.
Como foi a experiência de escrever um filme? Mais uma vez, boa parte da imprensa o criticou.
A experiência de escrever um filme foi fascinante e muito enriquecedora. Conheci e trabalhei com muita gente legal e importante. Foram meio milhão de espectadores no cinema, o filme ficou entre as 10 bilheterias do ano, fomos premiados em vários festivais. Agora, para todos que criticaram o filme, só o que posso dizer é que antes do terceiro e do quarto só me resta fazer o segundo.
Há alguma coisa que você se arrependa em todos esses anos de banda?
Sim, todo mundo tem, não é? Nem por isso sou obrigado a dizer.
Quais são os próximos passos do Charlie Brown?
Um deles é já desenvolver a trilha sonora do meu próximo filme ''O Cobrador'', e também gravar um álbum ao vivo no final do ano.
Quais os sons que mais tocam no seu iPod?
Escuto de tudo um pouco, mas no momento tenho ouvido muito as bandas Relatos de uma Invasão, Adão Negro e Ponto de Equilíbrio.
Seu filho gosta de música, cinema? Ou prefere o skate?
Meu filho atualmente está estudando e paralelamente também fazendo um curso de cinema. Acho que o caminho dele pode ser por aí e fico muito feliz com isso.
As músicas do Charlie Brown têm a função de educar?
Música não cumpre o papel do pai e da mãe e nem a função do Estado de educar seus cidadãos. Acima de tudo, música pra mim é diversão e entretenimento. Mas se as minhas letras conseguem exercer uma influência positiva na galera, fico muito contente.


