‘‘Não existem mais mulheres fortes como Chiquinha Gonzaga’’. A frase é de Gabriela Duarte, atriz que interpreta a fase jovem da musicista revolucionária, que dá nome à nova minissérie da Globo, de 38 capítulos, escrita por Lauro César Muniz e dirigida por Jayme Monjardim. A estréia será amanhã.
Depois de ‘‘carregar’’ uma personagem não muito querida pelo público na novela ‘‘Por Amor’’, Gabriela retorna à telinha com uma grande convicção: se ultrapassou o bombardeio da mídia enquanto vivia a Eduarda, agora, como Chiquinha, está, como ela mesma diz, ‘‘escolada’’ para a crítica que vier. ‘‘Me preparei’’, diz, fascinada pela personagem que lhe foi dada de presente pelo diretor de criação da emissora, Daniel Filho.
Gabriela devorou, em um mês, toda a pesquisa que lhe foi entregue pela produção da Globo, o que lhe dá o direito de proclamar que ‘‘hoje em dia nenhum ser humano consegue ser tão revolucionário como ela foi’’, diz, com conhecimento de causa.
De fato, Francisca Hedwiges Gonzaga (1847-1935) virou mito mesmo tendo passado por cima de todas as normas sociais de sua época, no repressor século XIX. Insistia em valorizar a liberdade, participou ativamente da luta dos abolicionistas, batalhou por direitos autorais, ajudou artistas e , principalmente, foi responsável pela composição de verdadeiras pérolas da música brasileira.
Curiosamente, não há muitas informações históricas sobre ela. ‘‘Tive que colocar muita ficção para poder escrever a minissérie. Só para ter uma idéia, os personagens que não pertencem diretamente ao círculo de Chiquinha eu tive de criar’’, conta o autor, Lauro César Muniz.
Para poder ‘‘amarrar’’ a história, criando uma certa linearidade, Lauro colocou, como fio condutor, uma homenagem que foi feita a Chiquinha, contando a história dela no palco de um teatro. ‘‘Assim pude dar saltos no tempo’’, explica o autor.

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