'Chinas' são destaque em minissérie
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quarta-feira, 12 de março de 2003
Débora Miranda eMarcia Pereira<br> Agência Folha 
Mais do que servir aos farrapos ou aos imperiais na cama, as chinas da minissérie global ''A Casa das Sete Mulheres'' fazem papel de companheiras, amigas e até mesmo de conselheiras em meio à batalha farroupilha. ''As chinas eram mulheres errantes que acompanhavam as tropas de soldados. Elas viviam da guerra. Não eram meras prostitutas, pois serviam aos homens. Cozinhavam e lavavam roupas, além de fazerem sexo'', diz Vincent Villari, colaborador da escritora da trama, Maria Adelaide Amaral.
As personagens que o telespectador vê em cena são todas fictícias, mas traduzem a importância da função das chinas à época da revolução. ''Elas tinham a missão de dar força aos homens, para que eles seguissem firmes nos campos de batalha'', diz Juliana Thomaz, intérprete de uma das chinas lideradas por Consuelo (Rosi Campos).
Por outro lado, o historiador Gunter Axt conta que elas eram mulheres muito pobres e que precisavam encontrar uma forma de sobreviver. ''Naquela época, era improvável que uma mulher vivesse sozinha. Ela tinha de se vincular a um homem. Se elas ficassem nas cidades, morreriam de fome. Por isso, a relação das chinas com os soldados era uma questão de sobrevivência.''
Para Christiane Tricerri, que interpreta a Quitéria, o mais importante é que hoje, mesmo quem não vive no Rio Grande do Sul, sabe o que significa ''china''. ''Para eles já era um termo conhecido, mas para o resto do Brasil foi um choque na comunicação. Eu mesma não sabia. Pensei que tinha a ver com chinesa. E agora esse universo está tomando forma na cabeça dos telespectadores. Entramos no imaginário das pessoas.''


