Chile, de ''cara'' nova
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terça-feira, 02 de março de 2004
Cleide Silva<br> Agência Estado 
Chillán - Quando a neve começa a derreter, a partir de novembro, uma nova paisagem renasce na Cordilheira dos Andes. O verde das florestas de carvalho, riachos cristalinos e grutas formadas por antigas erupções vulcânicas ressurgem imponentes depois de vários meses soterrados por montanhas de gelo que chegam a dois metros de altura. O verão em Chillán, cidade no sul do Chile, é marcado por dias mais longos. Somente escurece por volta de 21 horas, o que permite mais tempo para descobrir o que a região oferece no período em que estações de esqui, que garantem a popularidade do local, permanecem desativadas.
Integrados à paisagem montanhosa, os vulcões gêmeos Novo e Velho Chillán praticamente passam despercebidos pelos turistas que só curtem a prática de esquiar. Mas, entre janeiro e março, quando a neve só é vista nas áreas mais elevadas, é possível chegar bem próximo das duas crateras, uma delas ainda em discreta atividade.
O acesso é pelo mesmo teleférico que transporta os esquiadores no inverno, mantido no balneário Termas de Chillán. Depois da subida, ainda são necessárias três horas de caminhada para estar mais próximo aos vulcões, a mais de 3.100 metros de altura. É o Novo Chillán, que cuspiu fogo pela última vez há 25 anos, que abastece de água quente as piscinas do hotel.
Conhecido por abrigar uma das mais importantes pistas de esqui do Chile e por sua programação no período de inverno, o Termas de Chillán inaugurou este ano uma rota especial para quem pretende desfrutar das belezas naturais que ficam escondidas durante boa parte do ano. Além dos vulcões, há passeios a cavalo pelas cordilheiras, caminhadas e prática de esportes como mountain bike e escaladas.
Só depois que os dois metros de gelo que cobrem a região durante o inverno derretem é que se pode visitar a gruta Los Pangues, nos arredores do balneário. O atrativo é a cachoeira formada pela águas do degelo das montanhas. Inicialmente abundante, a água vai perdendo força ao longo das semanas de calor, mas ainda assim garante um charme à gruta, onde foram instaladas imagens de Nossa Senhora de Lourdes e São Sebastião. Antes de uma nova temporada, moradores da região depositam flores e velas e pedem proteção aos santos.
Escalar parte das cordilheiras em um cavalo é aventura garantida, mas não se deixe encantar pelos discursos dos guias de que não é preciso habilidade para desfrutar desse programa de dia inteiro. A cavalgada até o Rio Diguillin, a oito quilômetros de distância, é cansativa e exige preparo físico. Para ir, são três horas subindo e descendo montanhas em estreitas trilhas no meio da floresta, atravessando riachos de águas claras. O prêmio maior é a maravilhosa vista dos Andes, coberto com a neve eterna dos picos.
No destino da viagem é oferecido um churrasco à moda local. O retorno leva mais duas horas e meia, em média. De volta, a melhor sugestão é uma massagem oferecida no spa do hotel e depois algumas horas na relaxante piscina de águas vulcânicas. Ainda assim, não se iluda no dia seguinte, os menos preparados sentirão os reflexos da cavalgada nas pernas, coluna, braços...


