São Paulo - Filmes com temática espírita tornaram-se constantes na produção nacional. Desde o sucesso inesperado de ''Bezerra de Menezes: o Diário de um Espírito'' (2008) - visto por mais de 500 mil espectadores -, o público pôde conferir, em 2010, ''Chico Xavier'' e ''Nosso Lar''.
Hoje, mais um longa espírita estreia. Dirigido por Glauber Filho e Halder Gomes, ''As Mães de Chico Xavier'' retrata histórias de mulheres que perderam seus respectivos filhos e que veem, nas cartas do médium mineiro, redenção e força para seguir em frente na vida.
Nelson Xavier, repetindo o seu papel em ''Chico Xavier'', dá novamente vida ao espírita. ''Tive medo de aceitar o papel, uma certa resistência. Mas percebi que não fazer o filme seria uma leviandade, pois o personagem Chico Xavier foi muito importante para mim'', afirma o ator. ''Além disso, em ''As Mães'', o Chico está mais leve, descontraído e velho. Ou seja, foi mais fácil interpretá-lo'', completa.
Pelo fato de o papel não ser inédito em sua carreira, Nelson conta que o prazer de interpretar Chico foi diferente. ''No longa do Daniel Filho, a experiência foi arrebatadora, resultado de um primeiro encontro marcante. Agora, eu vejo o Chico de outra maneira. Sem contar que as atitudes dele não são mais estranhas para mim.''
Em ''As Mães de Chico Xavier'', Nelson não aparece em muitas cenas. Porém, em todas elas, tem papel fundamental, pois as protagonistas Elisa (Vanessa Gerbelli), Ruth (Via Negromonte) e Lara (Tainá Muller) procuram o espírita em momentos de desespero, por razões diversas.
Elisa sofre por ter perdido de maneira acidental o seu filho de cinco anos. Ruth lamenta o fato de ter internado o filho, viciado em drogas, e não ter conseguido evitar que ele se suicidasse. Lara vive um dilema: abortar ou não um bebê.
Segundo Via Negromonte, o principal desafio das atrizes foi dar veracidade a uma emoção que elas nunca vivenciaram (a perda de um filho). ''É estranho, pois, quando você perde os pais, você vira órfão. Caso perca o marido ou a mulher, viúva. Mas, a dor de ver um filho morrer não tem nem nome'', afirma.

mockup