Curitiba O diretor mineiro Chico Pelúcio já esteve em oito das 12 edições do Festival de Teatro de Curitiba (FTC), sempre na Mostra Contemporânea, antes chamada Mostra Oficial. As premiadas montagens ''Um Trem Chamado Desejo'' (2001), do Grupo Galpão, e ''O Homem que Sabia Português'' (2000), com a Companhia Burlantins, são alguns exemplos. Mas nessa edição do FTC, Pelúcio divide espaço com outras centenas de montagens em cartaz no Fringe, mostra paralela do evento. Ele traz ao festival o espetáculo ''O Homem que não Dava Seta'', resultado do projeto Oficinão, do Grupo Galpão.
Pelúcio chegou a inscrever o espetáculo ''A Sombra do Sucesso'', atualmente em cartaz em Belo Horizonte, na Mostra Contemporânea, mas a montagem foi recusada pelos organizadores do evento. ''O festival está se perdendo demais na burocracia e o teatro acaba se perdendo também'', diz, complementando que ''o Fringe vai na contramão dessa proposta e por isso tem mais vida''. Para ele, a Mostra Contemporânea significa o presente e o passado e o Fringe revela o futuro do teatro no País.
O diretor não mostra melindres ao participar pela primeira vez da mostra paralela. Ao contrário. ''É bom estar no Fringe, mostra a vontade de apresentar o espetáculo em outra cidade e principalmente de fazer teatro'', avalia. Assim como os outros participantes da versão alternativa do festival, o diretor teve que encarar horas de ônibus para chegar em Curitiba, pagar aluguel do teatro e arcar com hospedagem e alimentação. Apesar da maratona, ele e os atores não se deram por vencidos. Tanto que apresentaram um ótimo espetáculo logo na estréia, mesmo depois de atravessarem a noite acordados fazendo as adaptações necessárias para a apresentação em Curitiba.
''O Homem que Não Dava Seta'' estreou no ano passado em Belo Horizonte. Criado em março de 1998, no Galpão Cine Horto (espaço mantido pelo grupo mineiro), o projeto é dedicado a atores que querem passar por um processo de reciclagem e tem recebido atores de todo o Brasil. ''O Oficinão proporciona uma vivência de grupo muito forte e esse é o objetivo do projeto'', diz Pelúcio.
A quinta montagem do Oficinão foi além. A partir do espetáculo, os sete atores de ''O homem que não dava seta'' criaram a Companhia do Homem e pretendem dar continuidade ao processo de pesquisa iniciado com a encenação. A peça foi criada a partir de um processo colaborativo, que leva em conta as experiências e improvisações dos atores.
O processo foi coordenado pelo dramaturgo paulista Luís Alberto Abreu. Tem textos de outros quatro dramaturgos mineiros e também utiliza a linguagem cinematográfica como ponto de equilíbrio. Na montagem, Pelúcio bebeu de fontes encontradas nos filmes ''Amores perros'', ''Pulp fiction'' e ''Corra Lola corra''. Mas nem por isso o espetáculo se torna pretensioso.
A peça trata da decadência do homem moderno abordada a partir do atropelamento de uma mulher. Não necessariamente nessa ordem. O cenário simples e extremamente funcional facilita a movimentação dos atores e dá dinamismo às cenas.
As projeções utilizadas funcionam para levar a movimentação da rua para o palco, ao contrário do que Pelúcio está acostumado a fazer em suas quase três décadas de profissão. ''O Homem que Não Dava Seta'' é, com certeza, uma das boas apostas do Fringe.
SERVIÇO
''O homem que não dava seta''. Hoje às 18 horas, amanhã às 22 horas e sábado às 15 horas no Teatro José Maria Santos (Rua 13 de Maio, 655), dentro da Mostra Paralela do 12º Festival de Teatro de Curitiba. Ingressos a R$ 5,00.

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