Chico jogou bola, cantou e encantou
Marcos Freitas
De Curitiba
Foram apenas quatro dias na cidade, mas o curitibano pôde matar as saudades do ídolo que há cinco anos não aparecia por aqui. Chico Buarque trouxe um pouco mais de cidades para a nossa capital: cantou, tocou, jogou bola, ignorou políticos, passeou, recebeu homenagens, enfim, encantou.
Pode-se dizer que vimos Chico por inteiro. O músico: que fez um show perfeito colocando todas as suas fases ou características (pudemos ouvir em um mesmo espetáculo o Chico poeta, cronista, político e amante). O cidadão: que ignorou títulos políticos (disse que não foi a Assembléia Legislativa para ser homenageado porque não havia sido convidado) mas recebeu com afeto a singeleza do pão e da erva-mate dados por integrantes do Movimento dos Sem Terra que o homenagearam por apoiar a luta pela terra no Brasil. O mito: que encantou por onde passou e fez lembrar aos seus fãs o quanto Chico lhes é necessário. O brasileiro: que não troca suas peladas por nada e mostra dentro das quatro linhas que também é um artista no futebol.
Por fim, o público pôde mesmo se agraciar da presença deste personagem vivo da história, das artes, da política, emfim, da vida do Brasil. O úníco lamento ficou por conta do próprio curitibano durante o último show no Teatro Guaíra. Histéricas e extremamente mal-educadas (como verdadeiras macacas-de-auditório, sem falar nas insistentes e proibidas fotos), muitas fãs invadiram o palco enquanto Chico agradecia a platéia, proporcionando um momento terrível para o cantor, que se viu sufocado por muita gente. E o pior é que naquele momento havia apenas um segurança para tirar o artista de tal situação. Deprimente. Chico não merecia.





