Chico César, popular e agitado
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terça-feira, 01 de julho de 2008
Agência Estado 
Finalmente, Chico César, autor de ''Mama África'', ''À Primeira Vista'' e ''Pedra de Responsa'', sai do exílio imposto pelo estilo ''cabeça'' dos seus últimos trabalhos e decide voltar a dialogar com o popular. Com ''Francisco, Forró y Frevo'', o cantor e compositor quer tocar nas rádios AM outra vez. ''Não adianta brigar com o 'créu', a gente tem de trocar figurinhas com este tipo de música também. Meus últimos shows tinham virado uma espécie de missa. Agora, acabou. Vou fazer espetáculos mais agitados'', disse o cantor.
Como já adianta o título auto-explicativo, Chico César centrou o seu repertório em frevo e forró. ''Fui passar uns dias na casa de Elba Ramalho, em Trancoso (Bahia). Lá, tive a idéia da música ''Pelado'' (uma alfinetada na mercantilização do carnaval: 'o abadá está tão caro / custa mais caro / que a máscara de carnaval / eu vou sair pelado...'). Com ela, pensei em fazer um disco inteiro de frevo'', revela.
A idéia de mergulhar totalmente no universo do ritmo pernambucano não vingou. César decidiu acrescentar outro mais próximo do seu universo. ''Pensei muito em Novos Baianos, Moraes Moreira e Dodô e Osmar para fazer esse trabalho.'' Para que as canções não soassem regionais e tradicionais demais, o cantor chamou Bid (conhecido produtor de música eletrônica) e Mário Caldato Jr. para participarem do CD. ''Ainda assim, as músicas foram quase que tocadas ao vivo, como uma banda mesmo.''
O resultado é um disco popular sem soar popularesco, um trabalho que pode fazer Chico César recuperar um público que havia perdido nas complicações dos seus últimos CDs. E é no forró que o artista se sai melhor. Destaque para a sacana e irresistível ''Feriado'' (estou pensando em viajar no feriado /mas se eu souber que uma vadia ou um viado / dormiu com você / não quero saber...) e a poética ''Comer na Mão'' (você vai comer na minha mão / e só vai passar fome se quiser / por que é que lhe ofereço o coração /e você fica pegando no meu pé?).
Outro destaque do disco é o medley ''Marcha da Calcinha/ Marcha da Cueca'' (eu mato, eu mato / quem roubou minha cueca...), que conta com a participação do cantor pernambucano Claudionor Germano. ''Sabe que tem gente que acha que a marcha da cueca é do Silvio Santos?'', brinca.
Além de Claudionor Germano, participam do álbum Seu Jorge, em ''Dentro'' (a música mais MPB do repertório e estranhamente escolhida para ser trabalhada nas rádios) e Dominguinhos (brilhante), em ''Deus me Proteja''. ''Francisco, Forró y Frevo'' tem tudo para devolver Chico César ao público que ele nunca deveria ter deixado escapar: o povão.


