Chiclayo é o ''templo da lua''
Chiclayo - Chiclayo é a capital do Departamento (Estado) de Lambayeque, que significa ''a casa ou o templo da Lua''. Fica a 770 quilômetros ao norte de Lima, e seu nome provavelmente deriva de umas flores azuis comuns na região. É uma cidade movimentada e cheia de motos adaptadas para táxi, como triciclos não é a moto com carona. O serviço de táxi em geral é barato no Peru, e com esses triciclos torna-se baratíssimo.
O potencial turístico da região é espantoso. A 35 quilômetros de Chiclayo fica o Complexo Arqueológico de Sipán, marco da cultura moche, que floresceu em torno do ano 500. Em Huaca (''local sagrado'') Rajada há um conjunto formado por duas pirâmides e uma plataforma. Em 1987, foi descoberta a tumba do Senhor de Sipán nome do povoado. Mais tarde, a de um sacerdote e, por fim, a de outro chefe. Este último foi enterrado quatro gerações antes, por isso é chamado de o Velho Senhor de Sipán. Ele foi sepultado com uma mulher jovem e com uma lhama.
Em Lambayeque, a 11 quilômetros de Chiclayo, fica o extraordinário Museu Nacional Tumbas Reais de Sipán, que reproduz as descobertas de Huaca Rajada. Entre tantas belezas há a réplica do sarcófago do Jovem Senhor de Sipán. O povo moche se destacou pela cerâmica, estrutura social e metalurgia chegando a folhar com ouro instrumentos de cobre. E construiu sistemas de irrigação, aproveitando a água de rios dos Andes, cuja estrutura é usada até hoje. O edifício do museu, em forma de pirâmide, tem três andares e recebe até 300 visitantes por hora. O acesso é feito por uma rampa, como nos templos moches. Há loja de souvenirs, caixa automático e sanitários.
No interior, a iluminação é feita apenas por spotlights que ressaltam a incrível beleza de cerâmicas, jóias, roupas, ferramentas e ornamentos. A fartura de objetos de ouro e prata é chocante. Só o líder moche tinha mais de 400 jóias. Segundo os arqueólogos, o Senhor de Sipán tinha 1,67 metro de altura, morreu com cerca de 40 anos e estava começando a ter artrite.
O ponto alto do museu é a réplica da câmara funerária do líder indígena. Os moches achavam que a vida na Terra era só um estágio para outra existência. Como eles acreditavam que esse ''segundo tempo'' seria semelhante à vida na Terra, colocavam nos túmulos alimentos, animais e jóias e gente.
As pessoas mais próximas dos líderes achavam que, na outra existência, continuariam a ser guiadas por eles e não se constrangiam em morrer junto. Ao contrário, era uma honra. Assim, a tumba do Senhor de Sipán abrigava mais sete pessoas, incluindo guardas, mulheres e crianças. No andar térreo fica a Sala Real Moche, com três painéis sobre o dia-a-dia dessa civilização. São 35 figuras em tamanho natural.
''Este é considerado um dos dez melhores museus do mundo em todos os gêneros'', diz o arqueólogo Walter Ava. Foi ele quem descobriu os túmulos em Huaca Rajada. Ava destaca que outros governos e empresas privadas investiram no museu. Em Túcume, a 33 quilômetros de Chiclayo, está o Vale das Pirâmides.
São 26 edificações de barro e algumas delas eram habitáveis. Lá fica o Cerro Purgatório, um monte sagrado para os indígenas. A maior edificação é a Huaca Larga, com 700 metros de comprimento e 30 metros de altura, o maior edifício de barro da América do Sul. (S.M.)





