A cidade de Chicago, ao norte dos Estados Unidos, tenta devolver aos seus habitantes o gosto pela leitura convidando-os a se lançar coletivamente em um mesmo romance e dividir suas reações com seus concidadãos.
O programa ''Um livro, uma só Chicago'' na semana passada e deve durar até meados de outubro. Seu objetivo é levar a maior quantidade de pessoas a largar a televisão ou os jogos eletrônicos para ler ''To Kill a Mockingbird'', do autor Harper Lee, um romance americano sobre o racismo e os preconceitos que rondam em um povoado de Alabama (ao sul do país) nos anos 30.
Com esta iniciativa esperamos ''conseguir que as pessoas se entusiasmem pela leitura, se lembrem de que ler é divertido'', explicou Maira Liriano, responsável pelas bibliotecas públicas de Chicago, que organiza o programa.
Em poucos dias, o projeto parece ter êxito. As bibliotecas já emprestaram 1.000 exemplares do livro, dos quais vários reservados com antecedência.
As livrarias da cidade com três milhões de habitantes (dos quais 37% são negros) também solicitaram centenas de exemplares suplementares do romance,que além do mais foi inscrito nos cursos das escolas públicas.
''Seria interessante ver as pessoas no metrô, que normalmente não se falam, discutindo o livro'', disse John Spizzirri, um escritor que o leu três vezes e já o prometeu a um amigo.
Joel Monarch, um advogado, espera por sua vez convencer seu filho de 10 anos a sacrificar algumas horas do basquete ou dos videogames pelo romance. ''É uma bela ocasião, posto que se todo mundo o ler (meu filho) poderá falar com seus amigos e não somente com seus pais''.
Para incitar os habitantes a falar, a cidade convidou um dos grandes especialistas deste romance (o autor de 75 anos recusou o convite), organizou encontros e está oferecendo foruns na internet.
As bibliotecas também programaram projeções do filme de 1962 que tem o mesmo título do livro e que foi protagonizado por Gregory Peck (''O sol é para todos''). Paralelamente, museus e livrarias particulares também estão organizando reuniões.
Inclusive o tribunal de Chicago propôs organizar um simulacro de processo para evocar a história do personagem principal do romance, um negro de Alabama acusado de ter estuprado uma mulher branca.
''To Kill a Mockingbird'', que obteve o prêmio Pulitzer, vendeu 30 milhões de exemplares desde sua publicação em 1960.
E sua escolha para este projeto não foi por acaso, já que é o livro preferido do prefeito da cidade, Richard Daley. Especialmente deve suscitar discussões sobre a discriminação aos negros e sobre a decisão de algumas bibliotecas de retirá-lo de suas estantes porque em algunos círculos ele é considerado também preconceituoso.

mockup