Chemical Brothers abre hoje a turnê no Brasil
Hoje, muitos mudarão a idéia do que se convencionou chamar de apresentação ao vivo. Na beirada do fim do milênio, guitarra, baixo, bateria e vocal continuam a existir, mas em forma de oito sintetizadores que tocarão uma única música e que ocuparão nesta terça-feira o palco do Via Funchal, em São Paulo, e
amanhã, o do Metropolitan, no Rio, nos shows da dupla britânica Chemical Brothers.
Ao lado do Prodigy, os integrantes Tom Rowlands e Ed Simons formam a atração mais bem-sucedida da música eletrônica britânica, reconhecidos por estatuetas em diversas premiações internacionais, como o Grammy em 98 de performance instrumental de rock por Block Rockin Beats, do segundo CD, Dig Your Own Hole.
Mas a carreira desses dois amigos de adolescência começou no início dos anos 90 na cidade de Manchester (Inglaterra) - berço de figuras importantes da música pop britânica, como o Joy Division, o New Order e o Happy Mondays -, onde eles eram DJs. Quando passaram a se arriscar no mundo dos teclados e da manipulação de samples, assumiram o nome Dust Brothers, homenagem à dupla de produtores americanos (do álbum Pauls Boutique, dos Beastie Boys, por exemplo), mas foram obrigados a mudar, pois os verdadeiros Dust Brothers não aceitaram o tributo numa boa.
Às vésperas de lançar seu terceiro álbum de músicas inéditas, Surrender (que traz participações especiais de gente como o guitarrista do Oasis, Noel Gallagher, e do vocalista e guitarrista do New Order, Bernard Sumner), a dupla desembarca no País para fazer o quarto e quinto shows com o repertório desse novo disco.
Leia a seguir a entrevista feita por telefone com o integrante Ed Simons, da sede da gravadora Virgin, em Londres.
Como serão os shows?
Dois caras fazendo muito barulho. Estávamos discutindo sobre isso outro dia: tocaremos faixas novas e velhas, hits de todos os discos. Será diferente do que as pessoas ouvem no disco. Será mais hipnótico, menos distorcido, mais repetitivo. Acho que será legal para o público.
Como vocês dividem as funções?
Nós fazemos aquilo que sentimos. Mas, geralmente, Tom cuida do sequenciador e faz os truques com as várias bases pré-gravadas. Nós temos oito sintetizadores no palco, com todas as sequências saindo deles, e nós as manipulamos em tempo real. Tudo o que você ouvirá será feito por nós.
Haverá músicas novas?
Serão cinco novas e cinco velhas, e depois mais se sentirmos que está indo bem.
Como foi trabalhar com pessoas que inspiraram vocês, como foi o caso de Bernard Sumner, em Out of Control?
Ele foi uma das primeiras pessoas que encontramos de quem éramos fãs. Depois de um certo tempo nos tornamos amigos, principalmente depois de passarmos um tempo no estúdio. Eu escuto New Order desde que tinha 14 anos. Foi difícil encontrá-lo pela primeira vez, fiquei nervoso, mas, depois, me acostumei.
Vocês planejam remixar futuras faixas do New Order?ReproduçãoChemical Brothers: dupla desembarca no Brasil para mostrar o repertório de seu novo disco Surrender, que está para ser lançadoLeandro Fortino
Agência Folha





