A clandestinidade e os ruídos na comunicação transcritos em forma de humor. Os Irmãos Kazamaroffs (Les Freres Kazamaroffs), da França, chegam a Londrina para participar do Filo com o espetáculo ‘‘Le Cirque Clandestin’’, que será apresentado hoje e amanhã, na Concha Acústica.
Para abordar uma situação dramática em muitos países, a companhia francesa criou um espetáculo no qual dois irmãos não conseguem se comunicar com as pessoas, mas se apegam a gestos, mímicas e acrobacias para cumprir seu objetivo.
Na encenação, os personagens interpretados por Clarte Gerard (Vladimir) e Belleville Benoit (Aliocha) vivem num país imaginário e, para fugir do lugar, se escondem em contêineres que guardam múmias de uma exposição egípcia. ‘‘Deste país é mais fácil conseguir sair em forma de mercadoria do que de gente’’, ironiza Gerard. Sem documentos e utilizando sete meios de transporte diferentes, os dois aventureiros atravessam 32 fronteiras e escapam de 45 fiscalizações para chegar a um destino.
Os personagens usam formas criativas para resolver os problemas ao seu modo. Por isso se apóiam muito no visual, no malabarismo, na dança e num folclore ‘‘inventado’’ por eles mesmos. Eles falam uma língua imaginária e a comunicação é um ponto fundamental para que os dois se façam entender. Por isso, o visual e a movimentação são necessários nessa viagem pelo desconhecido, onde o confronto de culturas é inevitável.
O espetáculo é baseado em histórias de pessoas que vivem ‘‘sem papéis definidos’’ na sociedade. ‘‘O que acontece na França, onde há muita clandestinidade’’, diz Benoit. Como está se apresentando no Brasil, a dupla associa a situação francesa a dos sem-terra. ‘‘É um problema semelhante’’, acredita.
Apesar de não ser interativo, o espetáculo tem relação direta com o público. ‘‘Le Cirque Clandestin não tem palavras-chave para defini-lo. O público é quem deve desvendar’’, antecipa Gerard.
Dirigido por Vincent Lorimy, o espetáculo tem uma linguagem própria desenvolvida pelos dois atores, o que eles chamam de circo contemporâneo. A música original da montagem, composta pelo grupo Kristoff K.Roll, utiliza programações eletrônicas e é manipulada por Jean Kristoff. A iluminação é de Régis Durand de Girard.
O encontro dos ‘‘gêmeos’’ Clarte Gerard e Belleville Benoit aconteceu num espetáculo de clown em 1991. Depois de contracenarem, cada um foi para o seu lado. Clarte Gerard fez espetáculos por três anos com outro parceiro, enquanto Belleville Benoit terminava os estudos e cursava uma escola de circo.
‘‘Somos gêmeos, mas temos uma leve diferença de idade’’, brinca Gerard, que é 13 anos mais velho que Benoit. O reencontro aconteceu em 1995, com a criação de ‘‘Cirque Clandestin’’, espetáculo que levou dois anos e meio para ser montado.
Depois de Londrina, Os Irmãos Kazamaroffs seguem em temporada brasileira, com apresentações em Campinas, Santos, Belém, Rio de Janeiro e São Paulo. A vinda da companhia para o Brasil foi patrocinada pela Associação Francesa de Ação Artística (Afa) e pelas escolas Aliança Francesa de cada cidade.DivulgaçãoOs atores Clarte Gerard e Belleville Benoit em ação: espetáculo se apóia em malabarismo, dança e folclore ‘‘inventado’’Jackeline Seglin

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