chega para animar as telas
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quinta-feira, 21 de junho de 2001
Carlos Eduardo Lourenço Jorge De Londrina Especial para a Folha 2 
A apresentação de Shrek na recente competição de Cannes colocou a animação computadorizada em primeiro plano mundial. E não é para menos. Quem assistir ao filme a partir de hoje em amplo circuito paranaense e brasileiro (veja a programação de cinema na página 5) ficará assombrado pelo aporte de tecnologia que transborda em cada cena. É como se a quintessência, já testemunhada em ForminguinhaZ, se superasse a cada novo plano. A fábrica de magias, no caso, chama-se PDI/DreamWorks, e isto, que para muitos parecia o fim, é só o começo.
Decidamente é uma guerra. E envolve a Walt Disney Pictures, de um lado, e a DreamWorks de outro. O objetivo da disputa: a hegemonia em um gênero em que Disney já foi soberano. As batalhas se sucedem, e as últimas mostram certa vantagem para a companhia de Steven Spielberg. O mais recente desenho Disney, Atlantis - O Reino Perdido , estreou semana passada nos Estados Unidos e nem de longe ameaça os mais de 180 milhões de dólares de Shrek em um mês de exibição no mercado americano, renda inclusive superior ao estridente Pearl Harbor no mesmo período.
Durante mais de três anos, 275 criadores vindos dos mais diferentes países e trabalhando nas mais diversas áreas artísticas, atuaram no longa Shrek, a fim de obter a mais perfeita síntese de movimentos de corpos e de feições, em nome do maior realismo. A idéia dos realizadores, Vicky Jenson e Andrew Adamson, era justamente diminuir ao máximo - e se possível eliminar - as diferenças entre animação via computador e o cinema de tomadas de cenas reais. Quase utopia, fazer com que o espectador se esqueça de que está vendo um filme de animação. Quase.
Mas não é só o perfeccionismo técnico que vai encantar adultos e adolescentes, crianças em menor escala. A história do bicho-papão Shrek é o que de melhor surgiu nos últimos tempos, no universo rarefeito dos contos de fadas. A primeira boa sacudidela veio ano passado com A Fuga das Galinhas. Agora, temos a reviravolta nos ordenamentos tradicionais do fabulário infantil, anos a fio alimentado pelo bom mocismo antropomórfico da grife Disney. O que temos aqui é a subversão anárquica da linha comportamental de chapeuzinhos e princesas, de lobos, dragões e toda uma galeria de seres literários e cinematográficos que dominaram o imaginário da criançada no último século. Sarcástico e sempre simpático, o ogro Shrek conduz uma aventura que coloca de pernas para o ar a lógica cartesiana do imaginariamente correto. A princesa Fiona, o asno falante, o nobre-nanico Farquaad, o dragão-machão (?) e a longa fila de questionáveis entidades nossas velhas conhecidas: um grande divertimento, feito com inteligência, muito engenho e muita arte. Impossível deletar da memória esta brilhante criação.


