Um grupo de músicos e diretores de gravadoras vai se reunir hoje com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Rio, para cobrar um maior combate à pirataria na indústria fonográfica. Serão apresentados três pontos: alteração na lei, que permita a imediata destruição de produtos piratas apreendidos, independente da condenação do autor do delito; fiscalização mais rigorosa pela Receita Federal e pela Polícia Federal em portos, aeroportos e, especificamente, na ponte da Amizade (que liga o Brasil ao Paraguai); e maior participação da PF na repressão às gravadoras.
‘‘Ele ouvirá um grito de socorro’’, diz Roberto Souto, secretário-executivo da ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Disco). Além dos pedidos, FHC ouvirá um diagnóstico do setor. Hoje, um em cada quatro CDs vendidos no Brasil é pirata. Do encontro com FHC no Palácio Laranjeiras (zona sul da cidade) participarão alguns dos mais representativos nomes da música no Brasil.
O presidente ouvirá o ‘‘grito de socorro’’ na voz dos cantores Milton
Nascimento e Gilberto Gil, dos guitarristas Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso) e Roberto Frejat (Barão Vermelho), do sertanejo Zezé di Camargo (da dupla com Luciano), dos pagodeiros Netinho (Negritude Jr.) e Alexandre Pires (Só Pra Contrariar) e das cantoras Nana Caymmi e Sandra de Sá.
Há dois tipos de disco pirata: a cópia não-autorizada de um produto original e o registro inédito e não oficial de um show ao vivo conhecido como ‘‘bootleg’’. Ambos costumam ter qualidade técnica inferior; não pagam impostos, nem direitos autorais. No caso do Brasil, a pirataria representará este ano, segundo a ABPD, um prejuízo de cerca de US$ 450 milhões. O volume de imposto que deixará de ser recolhido está avaliado em US$ 150 milhões.
Por causa do aumento da pirataria, a indústria fonográfica não registrará o crescimento esperado este ano: 10%. O faturamento deve cair 15%. Para tentar diminuir o prejuízo, as gravadoras estão gastando US$ 1,2
milhão em uma campanha publicitária para convencer o consumidor a não
comprar produtos ilegais.
O maior problema para elas é o disco pirata convencional já que o
‘‘bootleg’’ costuma ter circulação restrita a um pequeno grupo de
apreciadores. No caso do Brasil, a ABPD estima que os artistas nacionais representem cerca de 80% desses produtos ilegais. A estimativa da ABPD é que, este ano, a pirataria fonográfica no Brasil comercialize 30 milhões de discos piratas.

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