Chega às lojas álbum póstumo do Morphine
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 23 (AE) - Com um vozeirão que lembra em alguns momentos Leonard Cohen ou Tom Waits, o canto de cisne de Mark Sandman, o cantor do Morphine, é um dos melhores lançamentos deste começo de ano. Sandman morreu em pleno palco, no ano passado, na cidadezinha de Palestrina, na Itália, vítima de um ataque cardíaco. Pouco tempo antes, ele e seus parceiros (o saxofonista Dana Colley e o baterista Bill Conway) tinham acabado de finalizar esse disco, "The Night" (Universal Music)
que acabou ficando para a história como um epitáfio sonoro.
A banda de Boston legou apenas cinco discos, material suficiente para que ficasse conhecida como um grupo que fazia um tipo de jazz-rock noir, ou low rock, ou avant jazz, entre outra dezena de rótulos. A voz melancólica de Sandman, em contraponto com o sax barítono soturno de Dana Colley ajudou a projetar esse grupo de sonoridade única. Numa era de excessos e rebuscamento, o Morphine voltou ao básico. Eles viriam ao Free Jazz Festival do ano passado, mas a morte súbita de Sandman nos privou desse encontro.
O disco póstumo do Morphine abre com a melhor faixa, a inacreditável balada "The Night", envolta num clima de cabaré e cantada quase religiosamente por Sandman, uma presença forte e melancólica do disco. Algumas músicas evocam alguma mistura bizarra, como o quase rock-n-roll "Top Floor, Bottom Buzzer". O estilo de vira-lata sulista de Tom Waits certamente foi uma influência em "Like a Mirror".
Parte das músicas foi gravada por um ensemble constituído por nove ex-parceiros e amigos de Sandman, um grupo que foi batizado de Orchestra Morphine. Uma dessas faixas é a festiva "A Good Woman Is Hard to Find . O grupo inclui o saxofonista Russ Gershon, o baixista Mike Rivard, o trompetista Tom Halter, o baterista Jerome Dupree e os cantores Laurie Sargent e Christian McNeill.
"É duro sem Mark, mas o que se pode fazer?", disse o baixista Rivard. "Ainda existe uma grande coleção de canções pedindo para ser tocadas". Segundo o baterista do Morphine, Conway, foi uma tristeza a morte de Mark Sandman. "Mas há luz em tocar essas canções, é o lugar onde nós encontraremos um novo alento", afirmou. "Ele deixou um grande legado".
Um documentário sobre o grupo Morphine está para ser lançado este ano, além de um disco ao vivo que sairá em julho, "Live in St. Andrews Hall", gravado em Detroit, em 1994. "The Night" foi gravado no mesmo estúdio de sempre do grupo, em Boston, o High N Dry Studio, que hoje tem uma espécie de altar para Sandman no centro, com sua guitarra e fotos.
O cantor, baixista e guitarrista morreu na frente de 20 mil pessoas, aos 48 anos. Deixou um punhado de canções cheias de uma atmosfera bluesy, descascada, que nunca chegaria às grandes platéias. Longa vida ao Morphine. Serviço - "The Night". CD da banda Morphine. R$ 35,68. Importado. Disponível no StudioTan (studiotan.com.br)


