Los Andes - Considerada a mais família entre todas as estações chilenas, a Ski Portillo é um portal que separa seus esquiadores do mundo lá fora. Ao se romper a barreira de neve que circunda o Hotel Portillo, único dessa estação, o visitante entra numa espécie de portal gelado, onde todas as línguas parecem falar a mesma coisa esquiar, esquiar, esquiar.
A 164 quilômetros da capital chilena, Santiago, é do esqui e para o esqui que se vive em Portillo. Por ser a única estrutura nessa região, apenas no hotel o hóspede tem acesso às pistas e às inúmeras opções de lazer. Crianças correm livres pelos seis andares do predinho charmoso que contrasta seu amarelo intenso com o branco da neve.
Só este mês, por exemplo, dos 450 hóspedes que lotam o hotel, 170 são crianças, segundo o dono do empreendimento, Miguel Purcell. ''É um centro mais humano. Não é um tremendo centro, individualista. Por isso vem muita família'', acredita.
Aliás, integração é a palavra-chave em Portillo. O fato de não haver televisão nos quartos é proposital. O hall do restaurante parece a sala de estar da casa de um amigo próximo. Os hóspedes se reúnem ali antes das refeições para trocar informações, fazer amigos. A empresária argentina Maria Elvira Ayala é prova disso. Quis levar os dois genros, brasileiros, e os netos para conhecer a estação por conta da integração entre as famílias. ''Eu moro em Buenos Aires e minhas filhas, no Brasil. Resolvemos nos reunir aqui, porque fica mais ou menos no meio do caminho. O ambiente é simples e completo'', disse.
Comer em Portillo é um prazer à parte. Todos os pratos passam pelas mãos criteriosas do chef Rafael Figueroa, que, vez ou outra, dá uma passadinha pelo salão, para verificar se está tudo certo. Com opções à base de peixe, carne e massas, o turista encontra um cardápio diferente a cada dia. ''São 13 menus, o que possibilita ficar 15 dias sem repetir um prato'', garante Figueroa, há 21 anos no hotel.
Atum, cuscuz e cenoura com molho ao vinho cabernet é um dos pratos mais pedidos. Há opções para crianças e vegetarianos. Na sobremesa, a boa pedida é torta ou merengue de lúcuma, fruta típica andina. E por falar em comida, é imperdível um almoço no Tio Bob's, numa das montanhas. Só se chega lá de teleférico e de cima se tem a mais privilegiada vista de Portillo.
À noite, depois do jantar, os adultos procuram a boate do hotel, no subsolo, perto da sala de ginástica. Adolescentes misturam-se aos casais mais velhos. A dança, agora, torna-se a única língua universal em Portillo.
Mas nem toda noite é assim. Há dias em que a maioria dos turistas prefere aconchegar-se do frio que pode chegar a 10 graus negativos de madrugada nos quartos. Os que se arriscam a continuar na noitada, encontram diversão no bar La Posada, única opção fora do hotel para se tomar uma cerveja chilena ou apreciar a música de raiz.
Por falar em idiomas, ouve-se tanto português quanto inglês e espanhol. Os brasileiros representam entre 25% e 30% dos hóspedes de Portillo o mesmo número de americanos. Chilenos somam 15% e os argentinos, que já representaram 40% da ocupação, dividem com outros turistas o restante da fatia.
A temporada termina em 9 de outubro. E deve ser mais intensa que a de 2004, segundo Purcell. Diante da neve que já se acumula na paisagem, ele aposta que a temporada voltará a recuperar o número de hóspedes, depois de um ano com ocupação 25% menor que o normal. Seja como for, o período garante espetáculos possíveis de se observar dos quartos do Hotel Portillo ao amanhecer.
Viagem feita a convite do Ski Portillo e da LAN.

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