Charles Aznavour vem ao Brasil para shows
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
Andrei Netto<br>Agência Estado 
Paris - Charles Aznavour não esquece de nada. Aos 92 anos, ativo como poucos, lúcido como tem sido cada vez mais raro encontrar, o compositor e intérprete francês de origem armênia se prepara para levar ao Brasil sua mais recente turnê oferecendo ao público o que dele se espera: nostalgia, em pequenas doses de poesia. A reportagem acompanhou em Paris o show que o autor de La Bohème e Formidable apresentará em São Paulo, em 16 de março, e no Rio, dois dias depois, e comprovou a vitalidade de um dos mestres da palavra cantada - um dos últimos de sua estirpe na música mundial.
Aznavour é para a canção francesa aquilo que Frank Sinatra foi para a americana: um mito. Nascido em 22 de maio de 1924 em Paris, filho de pais armênios em fuga da violência e do genocídio, recém-chegados e abrigados na França, o jovem Charles Arzanourian jamais deixou de lembrar sua origem e a influência da cultura de seus antepassados na sua arte. O resultado de uma carreira vitoriosa se vê hoje, quando o cantor sobe ao palco ao lado de sua orquestra, Formidable, dirigida por Eric Wilms e composta por nove músicos, dentre os quais a corista Katia, sua filha. Em mais de duas horas de espetáculo, Aznavour hipnotiza pouco a pouco sua audiência em direção a um final apoteótico, que emociona os fãs de carteirinha e não deixa nenhum de seus espectadores indiferente.
Em Paris, a abertura de seu concerto aconteceu com Les Emigrants, um de seus clássicos, que após a crise dos refugiados enfrentada pela Europa em 2015 ganhou um teor político inegável: "Comment crois-tu qu'ils sont venus?", interpela, respondendo a seguir: "Ils sont venus, les poches vides et les mains nues". (Em tradução livre "Como você acha que eles vieram", interpela, respondendo a seguir: Eles vieram, os bolsos vazios e as mãos nuas.")
Mesmo para os fãs mais apaixonados, o concerto terá surpresas. Entre mais de 20 canções que Aznavour entoa, uma dezena faz parte das preferidas do próprio cantor, e não necessariamente as mais populares. Para tanto, o repertório partirá de músicas como Je n'Ai Pas Vu le Temps Passer, T'espero, Aspetto te, Paris au Mois d'Août, Nostalgies, La Vie Est Faite de Hasards e Avec Un Brin de Nostalgie, antes de chegar a clássicos como Mes Emmerdes, Hier Encore, Comme Ils Disent, Emmenez-Moi e La Bohême.
Os públicos paulistano e carioca verão um Aznavour em ótima forma, elegante, espirituoso, brincalhão, franco e carismático. Uma bela oportunidade para testemunhar o trabalho do astro que não esquece o passado - e que o futuro não vai esquecer.
SERVIÇO
Charles Aznavour
Espaço das Américas. Rua Tagipuru, 795, Barra Funda (São Paulo). Informações: 4003-1212. Dia 16 de março, às 22h. De R$ 150 a R$ 1.000.


