Berlim - Em um futuro não muito distante, a cidade de Johannesburgo, na África do Sul, encontrou uma maneira de diminuir a criminalidade: no lugar de policiais de carne e osso, o departamento de polícia incorporou às suas fileiras robôs programados para agir sob pressão.
Desprovidos de emoções e controlados por humanos, os androides são a arma perfeita na guerra urbana travada entre o Estado e o submundo do crime. Mas o que acontece quando um desses robôs é programado para pensar e agir por conta própria?
"Chappie", que estreia hoje no Brasil, tenta responder a essa pergunta, levando para as telas a discussão sobre o que constitui, de fato, o ser humano. O filme leva o nome da personagem principal, um robô policial que, após sofrer severos danos em uma operação, é descartado pela empresa que o fabrica.
O engenheiro responsável pela programação dos robôs, Deon Wilson (Dev Patel), porém, tem outros planos para a sentinela: instalar um programa que permite a criação de uma consciência própria ao androide.
A trama se desenvolve em torno de Chappie e mostra todas as fases de seu desenvolvimento - desde o "nascimento", passando pelo aprendizado básico, até a emancipação. Um dos pontos centrais em debate na produção é como o ambiente no qual um indivíduo é criado tem influência sobre seu caráter e sua personalidade, e como essas características contribuem para a formação de um ser humano.
"O que é, afinal, a alma? Seria ela definida pela ciência? Ou é algo a mais?", questionou o diretor e roteirista do filme, Neill Blomkamp, durante entrevista coletiva para promover o filme em Berlim.
"Chappie" é o terceiro longa do sul-africano Blomkamp, que iniciou sua carreira de diretor com "Distrito 9" (2009), indicado para o Oscar de melhor filme.
A estreita ligação entre Blomkamp e o universo da ficção científica foi o que atraiu nomes de peso ao elenco de "Chappie". Hugh Jackman interpreta seu primeiro vilão, Vincent Moore, um engenheiro que resiste à ideia de inteligência artificial. Sigourney Weaver atua no papel de Michelle Bradley, CEO da empresa Tetra Vaal, que fabrica os robôs.
"Eu queria trabalhar com Neill Blomkamp desde que vi 'Distrito 9'. A mente de Neill é simplesmente fascinante", disse Jackman à reportagem.
"Eu sempre amei trabalhar em projetos de ficção científica porque é uma área que tem um espaço criativo bastante amplo no qual é possível abordar questões relevantes para a sociedade", afirmou Sigourney Weaver.

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