Chapada dos Veadeiros mostra caprichos da natureza
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terça-feira, 07 de março de 2006
Adriana Moreira<br> Agência Estado 
Alto Paraíso (GO) Era de se esperar que uma região onde cristais brotam do chão, localizada sobre uma gigantesca placa de quartzo de 1,8 bilhão de anos, tivesse uma aura mística. No entanto, a Chapada dos Veadeiros tem uma magia que vai muito além de seu potencial esotérico. A natureza caprichou para criar cânions, cachoeiras e uma vegetação de características únicas, tornando-a um lugar especial.
Afinal, que outro adjetivo pode definir um local onde a vegetação pega fogo com uma facilidade incrível e, meses depois, tal como uma fênix, renasce das cinzas? Ao contrário do que muita gente pode imaginar, não são apenas as queimadas e os turistas pouco cuidadosos que causam incêndios na Chapada. Segundo Estevão Lombardi Silva, guia da Travessia Ecoturismo, uma das causas seria a incidência dos raios solares nos cristais sobre a vegetação seca, que pegaria fogo naturalmente.
Esta, aliás, é uma das principais características do cerrado, a vegetação típica da Chapada: o poder de regeneração. Na seca, entre maio e outubro, as plantas parecem mortas, rígidas. Mas quando começam as chuvas, a paisagem se transforma. Cachoeiras, como os Saltos 1 e 2 do Rio Preto, ficam cheias e caudalosas. Por esse motivo, é possível escolher as duas épocas para conhecer a região.
Atividades na água, como canyoning, por exemplo, são ideais na estiagem. Isso porque, durante as cheias, muitas cachoeiras ficam interditadas por causa do grande volume de água. Por outro lado, alguns roteiros mais longos como o Sertão Zen ficam simplesmente impraticáveis durante a seca, em razão do sol forte e da ausência de água no caminho.
Já para quem gosta de trekking, a estação das chuvas pode ter vantagens, como encontrar a vegetação mais exuberante. O inconveniente, neste caso, é ter de enfrentar chuva em boa parte do dia. Neste caso, não se esqueça de levar uma capa impermeável.
Os turistas podem optar entre ficar em Alto Paraíso de Goiás, a 230 quilômetros de Brasília, ou na vila de São Jorge, seguindo por mais 37 quilômetros pela rodovia GO-239 metade deles sem pavimentação. Para quem procura aventura, trekking e contato com a natureza, o melhor é hospedar-se em São Jorge. É lá que está a entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a principal das inúmeras atrações da região.
São Jorge cresceu com o garimpo de cristal que, durante muitos anos, foi o sustento da maioria dos moradores. No fim da Segunda Guerra Mundial, o preço do cristal caiu. Com a criação do Parque Nacional, a extração foi abandonada.
Durante cerca de 20 anos, a vila ficou estagnada. Esse cenário só começou a mudar na década de 80, quando chegaram os primeiros turistas. Com isso, a população ganhou uma nova fonte de renda. Hoje, São Jorge é conhecida como ''praia de Brasília'', por causa da grande quantidade de turistas brasilienses que aparecem por lá, especialmente nos fins de semana de verão.
Mesmo que não fique em Alto Paraíso, você certamente passará por lá na ida e na volta de São Jorge. Localizada no paralelo 14, o mesmo de Machu Picchu, Alto Paraíso tornou-se reduto de esotéricos a partir da década de 70. Não faltam lojas cheias de objetos como cristais, filtros do sonho, florais e incensos.
Há restaurantes com cardápios alternativos. Na sorveteria Mel & Cia a cobertura é de florais: chuva dourada para alegria, rosas do cerrado para obter tranquilidade, ravena para o equilíbrio amoroso, pinika para organização e alecrim dourado para energizar. Mesmo que não acredite nos efeitos, não custa experimentar. Vai que funciona...
Viagem feita a convite da Ambiental Expedições, da Gol e da Travessia Ecoturismo.


