O maior parque espeleológico do Brasil fica na Bahia, na Chapada Diamantina, composta por 57 municípios. Ao lado das atrações mais conhecidas – cachoeiras, piscinas naturais e trilhas ecológicas –, as cavernas com idade de 2,2 bilhões de anos encantam os visitantes.
Uma das mais espetaculares é a Gruta da Lapa Doce, no município de Iraquara, onde estão ainda a Caverna da Torrinha e as Grutas da Pratinha e Azul. Com 21 quilômetros de extensão e formada por um túnel com mais de 3 metros de altura e 50 metros de largura, a Lapa Doce está entre as maiores grutas do País. Mas apenas 900 metros estão abertos à visitação. A travessia, com lanternas, dura uma hora e meia. O chão é de areia fina, herança do rio subterrâneo que cortava o canal há milhões de anos.
A água das chuvas ainda se acumula sobre as rochas do ‘‘teto’’ da caverna, a mais de 30 metros acima, na superfície. Por minúsculas fissuras, atravessa a rocha e pinga lá dentro. Assim, surgem estalactites e estalagmites, que crescem em média três centímetros a cada dez anos. As formações calcárias chamadas travertinos, muito raras, existem em abundância nessa caverna. São pequenas piscinas de água azulada, que se formam nos platôs das rochas.
Merecem atenção outras duas belas formações. A primeira é a ‘‘medusa’’, com cerca de três metros de altura. Ao longo dos anos, filetes de água escorrendo do teto escavaram o calcário, formando cortinas, como os tentáculos de uma enorme medusa. A outra é o ‘‘peito de moça’’, rocha encravada no chão, que arredonda-se na medida em que aponta para o teto, na forma exata de um seio. Mas o preferido dos turistas é o ‘‘presépio’’. Encostado a uma parede, a água esculpiu uma enorme cobertura de cor vermelha, por causa da deposição de ferro. Abaixo dela, há rochas que imitam os personagens de um presépio.
Para visitar a Caverna da Torrinha, deve-se ter bom preparo físico. Pode-se escolher entre três roteiros que duram de uma hora e meia a três horas e meia. Há trechos com cerca de 150 metros de extensão onde a altura é de um metro e meio, forçando os visitantes a andarem agachados. O uso de capacete é obrigatório.
O sacrifício, porém, compensa. As atrações são os grandes salões calcários com minivulcões de rocha e agulhas de gipsita (formações metalizadas que despontam do solo verticalmente). Elas são resultado do aquecimento da terra a ponto de derreter metais há milhões de anos.
Ali também é possível observar a maior flor de gipsita do mundo, formada por uma bola de cristal com centenas de tentáculos em todas as direções.
O ‘‘Caribe do Nordeste’’ também fica na chapada: uma enorme piscina natural formada por canal com 100 metros de comprimento e 30 de largura. Água azul clara, tão cristalina que se vêem o fundo da caverna e milhares de peixes nadando. A Gruta da Pratinha é uma propriedade particular e tem infra-estrutura para receber turistas. O acesso é feito por estrada de terra que corta o povoado de Santa Rita de Cássia.
Na entrada, os visitantes descem um percurso de pedras, de cerca de 500 metros. Por isso é bom levar calçado de sola anti-derrapante. Perto da piscina natural, as rochas compõem uma espécie de planície, onde se pode tomar sol. A água costuma ser quente, e não se incomode com peixinhos que tentam mordiscar. O solo não é formado por areia, mas por minúsculas conchas de milhões de anos.
Na embocadura da caverna, só é permitido entrar com equipamento de mergulho e na companhia de instrutores. Compensa fazer o passeio, que custa R$ 10 e inclui máscara, snorkel, lanterna e guia. E apreciar de perto peixes e moluscos – 28 espécies, a uma profundidade de 15 metros.
A 250 metros dali, túnel adentro, a outra extremidade do canal forma mais uma bela caverna: a Gruta Azul. No início da tarde, os raios solares passam entre pedras e a vegetação e refletem na água cristalina, a cerca de 150 metros de profundidade. Mas nesta não se pode nadar.
Quem gosta de uma aventura a 9 metros de profundidade deve preparar as lanternas – e o fôlego – antes de conhecer outra atração geológica: a Gruta do Lapão, situada nas proximidades de Lençóis. A caverna não tem formações rochosas como as outras. Mas é cortada por um rio subterrâneo, de águas cristalinas, que pode ser apreciado com direito a barulho de corredeira no salão principal.

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