A banda não existe mais. Apesar de cada um em seu canto, sempre há motivo para matar a saudade. Depois de dois anos sem se apresentar para o público londrinense, o Chaminé Batom volta ao palco do Bar Valentino, hoje e amanhã, para um show que promete boas lembranças. A partir das 22 horas, o quarteto formado por Simone Mazzer, Elton Mello, Ricardo Grings e Carlinhos Rodrigues faz um revival com direito a ‘‘Mente Mente’’, ‘‘Férias em Videotape’’ e ‘‘Fuga do Gato’’, figurinhas carimbadas no repertório do grupo. A cantora Simone Mazzer anuncia, ainda, um mix musical de uma hora e meia que passa por Titãs, U2, Mutantes, Janis Joplin e Secos & Molhados.
O grupo foi desmontado, mas sempre que podem os integrantes dão um jeitinho de se reunir e relembrar os velhos tempos. ‘‘Existe entre nós uma espécie de pacto de final de ano, quando a gente se encontra para apresentar. Agora deu certo encaixar uma data no Valentino’’, diz Simone, que atualmente mora no Rio de Janeiro e faz parte da Armazém Companhia de Teatro. Ricardo Grings é seu companheiro de elenco há três anos. Elton Mello mudou-se para Curitiba e apenas Carlinhos Rodrigues permanece em Londrina.
O Chaminé Batom foi criado em 1986 como coro cênico. A proposta era unir a estrutura de um coral à disciplina de um grupo de teatro. O primeiro espetáculo nasceu em 1987, ‘‘Nolens Volens’’, um misto de músicas renascentistas e MPB. Nesse ano, o Chaminé Batom se apresentou na Bienal Internacional de Artes (SP) e venceu a 8ª Mostra de Música de Londrina com a música ‘‘Johnny’’ (Sílvio Valentin).
O coro cênico voltou ao palco em 1988 com o espetáculo ‘‘Essa Coisa’’ e partiu para interferências em vários espaços alternativos, até surgir ‘‘Sissi – A Pequena’’. Em 1989, o Chaminé Batom estreou ‘‘Enfim, Lupiscínio...’’ e rodou dois anos pelo Paraná.
O ano de 1991 foi uma época de mudanças para o grupo. Com ‘‘Juventude Feliz e Sadia’’ nascia a banda Chaminé Batom, que além de interpretar outros autores, passou a pesquisar um novo repertório e executar composições próprias.
Mais uma vez, o grupo se reciclou e ganhou novos integrantes. Desde então, a trupe apresentou ‘‘Chaminé Batom Lembra Elis’’ (de 92 a 95), ‘‘Am Days’’ (92), ‘‘Show Bzzz’’ e ‘‘Beth e Elizabeth’’ (ambas de 93). Nesse período, recebeu o Prêmio Profissionais do Ano por sua participação no setor artístico-cultural do Paraná.
O primeiro disco veio também em 1993, acompanhado de um show de lançamento no Iate Clube de Londrina. O LP, uma produção independente, tinha quatro faixas – ‘‘Mente Mente’’, de Robison Borba, e três composições do Chaminé Batom: ‘‘Tempo de Bufões’’, ‘‘A Festa’’ e ‘‘Censurar Ninguém Se Atreve’’.
‘‘Decifra-me ou...’’ – o CD – foi gravado em 1995 e lançado no Cine-Teatro Ouro Verde. Com este show, a banda viajou dois anos – até chegar ao ponto final da carreira. ‘‘Era muita gente trabalhando junto, difícil de conciliar. Foi ficando quem podia’’, analisa a cantora.
Para Simone Mazzer, a maior marca que o Chaminé Batom carregou nos 11 anos de estrada foi a troca de energia com o público. ‘‘Era uma presença gostosa, um astral, uma troca bacana entre público e banda. Não esqueço isso’’.
Show da banda Chaminé Batom. Hoje e amanhã, às 22 horas, no Bar Valentino (Av. Bandeirantes, 61), em Londrina. Ingressos a R$ 5,00.

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