Chamie faz leitura antropofágica da Carta de Caminha
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de novembro de 2002
João Luiz Sampaio<br> Agência Estado 
O poeta e ensaísta Mario Chamie lança na terça-feira seus dois novos livros - um ensaio sobre a Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei D. Manuel e uma coletânea de poemas inéditos.
''Caminhos da Carta'' (Funpec-Editora, ainda sem preço definido) propõe uma leitura antropofágica da Carta de Pedro Vaz de Caminha. A partir de um dos pressupostos defendidos por Oswald de Andrade no ''Manifesto Antropofágico'' - o de que, ao se ler, devemos procurar o que está inscrito e encoberto nos textos - Chamie procura mostrar que o documento enviado a D. Manuel na época do descobrimento do Brasil já continha todos os elementos de um ''projeto de processo cultural, desde a colonização até mesmo a formação de uma identidade nacional''.
''Os caminhos a que se refere o título do livro são, na verdade, espectros de leitura que revelam a trajetória da formação da nossa sociedade e cultura. É como se houvesse outro texto embutido na carta, comentando e dando outra significação ao texto escrito'', diz o autor.
O livro será lançado, com a presença do autor, na terça-feira, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073, São Paulo), a partir das 18h30. E Chamie aproveita a ocasião para lançar também ''Horizonte de Esgrimas'' (Funpec, sem preço definido).
''Todos os meus livros de poemas procuram obedecer uma concepção própria'', diz Chamie. ''Também nesta coletânea, todas as vertentes acabam encontrando um ponto de confluência, no sentido de que tudo tem um perfil de confronto, de uma luta invisível e decisiva. A vida, portanto, se resume a horizontes de armas que se terçam.''
Chamie faz questão de ressaltar que os poemas são movidos por uma concepção de vida, que remete também a determinadas posturas da poesia moderna. ''Procuro desenvolver uma preocupação com a linguagem mas, sobretudo, aprofundando a experiência existencial.''
Este é o 15.º livro de poemas de Mário Chamie, que começou sua incursão pelo mundo da poesia em 1955, com ''Espaço Inaugural'' e, desde então, já lançou volumes como ''Lavra Lavra'' que, segundo o poeta Murilo Mendes, ''tornou-se obra emblemática do panorama de nossa vanguarda literária''.


