'Chamar livro infantil de paradidático é reducionismo'
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quarta-feira, 04 de julho de 2018
Reportagem Local 

"Fico horrivelmente nervosa quando chamam de paradidáticos os livros de literatura. Literatura é arte. Esse reducionismo me irrita muito." A crítica é da autora de livros de poesia e contos para crianças, jovens e adultos, a carioca Roseana Murray, 68.
Ela esteve em Londrina nos dias 28 e 29 de junho para participar, como madrinha, da formatura dos alunos do curso de especialização Contação de Histórias e Literatura Infantil e Juvenil, promovido pela Fatum Educação.
Com mais de 100 livros publicados, Murray se revolta com a falta de estímulo à leitura no Brasil. Segundo ela, ainda na gestão de Dilma Rousseff, o governo federal deixou de adquirir livros para as escolas. "Havia uma força econômica que levava os livros para as crianças, agora parou", afirma.
Também, de acordo com a autora, falta apoio aos autores nacionais. "A gente entra nas livrarias de shopping e só encontra livros infantis traduzidos, uma porcaria", reclama.
Mas nem tudo está perdido, diz ela. "Percebo que existem duas ondas: uma do mal e outra do bem. Precisamos destacar as boas iniciativas." Entre boas iniciativas, ela cita um projeto realizado na cidade de Oeiras (PI), o qual conheceu a convite da Secretaria de Educação local. "Lá, as crianças, desde a educação infantil até o 9º ano, têm acesso aos meus livros. Muito bom. É de chorar", emociona-se.
Para Murray, a criança ouve o que quer e entende o que pode. "É importante sempre dar mais, subir o tom", diz ela, citando o autor português José Saramago, morto em 2010.
Nascida no bairro de Botafogo, a escritora mora atualmente em Saquarema, na Região dos Lagos (RJ), onde mantêm dois projetos de leitura: o Clube de Leitura da Casa Amarela e o Café, Pão e Texto. A residência da autora é aberta para alunos, professores e público em geral discutirem literatura.
PRÊMIOS
Filha de imigrantes poloneses que vieram para o Brasil antes da Segunda Guerra fugindo do antissemitismo, Roseana Murray escreveu mais de 100 livros. E recebeu prêmios de instituições como a APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), ABL (Academia Brasileira de Letras), FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil), e IBBY (Conselho Internacional sobre Literatura para Jovens). Seu livro "Tantos Medos e Outras Coragens" recebeu selo em Sevilha e está entre os melhores do mundo.


