Depois de lançar quatro discos no Brasil elogiados pela crítica e arrebatando um público seleto, mas fiel, a cantora Ceumar partiu para mostrar sua arte ao ''povo de lá'', nesse caso especial aos holandeses. Com sua voz doce e cheia de ternura a mineira, que toca violão desde os 16 anos, traça agora uma carreira internacional. ''Desde 2006 tenho feito shows aqui na Holanda, mas, depois que me casei com o músico e produtor holandês Ben Mendes, os laços foram se estreitando e decidi vir em definitivo pra cá'', afirma. Ceumar define Amsterdã como uma cidade multicultural. ''Há mais de 170 nacionalidades contabilizadas aqui, gente do mundo todo. Os músicos estão atualizados com todas as tendências mundiais e sinto que há espaço pra a música brasileira além dos clichês''.
Durante o projeto Plataforma Brasil x Holanda, promovido pelo SESC-SP também no ano de 2006, Ceumar participou como convidada para cantar com o grupo holandês Mike Del Ferro trio formado pelo pianista, compositor e arranjador Mike del Ferro, pelo brasileiro Zé Alexandre (baixo acústico) e Olaf Keus (bateria). Desde então tem feito shows com eles por todo o país e na Bélgica. ''Gravamos um CD ao vivo ano passado no Tropentheater e estamos finalizando para lançar este ano''.
Entre os trabalhos que tem feito por lá a cantora também tem se apresentado, em shows solos, com músicas dos quatro álbuns que já gravou ''Dindinha'' (2000), ''Sempre Viva'' (2003), ''Achou'' (2005) e ''Meu nome'' (2009).
Uma das coisas mais bacanas do seu trabalho é a diversidade sonora, você consegue misturar ciranda, maracatu, bossa nova, de uma forma absolutamente harmoniosa. Quais suas referências e inspirações para esse trabalho?
Eu gosto de ritmos, desde o primeiro cd, onde gravei um coco de embolada, um maxixe... Adoro a riqueza rítmica que temos e tento compor inspirada no que ouço de mais tradicional na MPB: samba de roda, afoxé, chorinho...
Daqui pra frente como fica o Brasil na sua programação?
Temos um projeto de turnê por 10 cidades do Brasil aprovado pelo Ministério da Cultura, iniciando a captação. É um grande sonho realizar shows com a estrutura adequada em locais onde tenho público, mas ainda nunca cheguei. O show do último cd ''Meu Nome'' está vivo e pretendo voltar sempre que possível para cantar no Brasil.
Pensando em uma carreira internacional você pretende cantar em outras línguas?
Eu gosto de experimentar coisas novas. Cantei e gravei um cd com um grupo africano /holandês (www.myspace.com/kokoura). Mas sinto que o português tem uma beleza sonora que abraça as pessoas de uma forma mais ampla. Quero continuar cantando na minha língua! Mas às vezes tento compor em inglês, talvez para ser melhor entendida. Já a carreira internacional é algo que acontecerá naturalmente, se me quiserem ouvir pelo mundo! Ainda não cheguei ao Japão, aos EUA... Muitos lugares...
Você acha que tem a visibilidade merecida!?
Às vezes me sinto uma estranha no ninho, aqui ou em qualquer lugar. A música que faço não é produzida para venda, e sim para o enlevo. É difícil disponibilizar este material de uma forma artística. Mas com 10 anos de carreira fonográfica (o Dindinha foi lançado em 2000) eu me sinto vitoriosa! Desde que comecei percebo um público crescente, interessado. Tenho algum espaço em veículos de comunicação, mas são raros e cada vez menos acessíveis. Mas reitero: percebo cada vez mais a independência artística como uma vitória, algo que conquistamos apesar das portas fechadas... No mundo virtual tudo fica claro, visível... Independente de ter ou não um super esquema por perto pode-se trabalhar com dignidade e liberdade.

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