Mario Quintana é a doçura e a acidez, resiliência que abre possibilidade para sua obra transitar entre universos distintos. ''Sobre Anjos & Grilos'' é o espetáculo da Cia de Solos & Bem Acompanhados, de Porto Alegre - RS, que estreou na última quinta-feira, no Teatro Zaqueu de Melo. Hoje, será o último dia de apresentação do monólogo conduzido pela atriz Deborah Finocchiaro, que utiliza diversas linguagens para dar vida à trechos de poemas, crônicas e entrevistas do poeta e escritor gaúcho.
''É uma forma de aproximar o espectador da poesia; quebrar preconceitos de quem nunca leu poesia. Além disso, divulgar obras pouco conhecidas do Quintana'', refletiu Deborah.
Com elementos multimídia, a atriz demonstra atuação intensa e um arrebatador gestual à frente de um telão quase transparente, no qual são projetadas obras da artista plástica Zoravia Bettiol, em forma de quadros e animações. ''Quando se fala em tecnologias no teatro, existe um certo receio, mas quem já assistiu ao espetáculo apontou uma organicidade, ou seja, está tudo muito bem integrado com o trabalho'', acrescentou.
Durante o processo de seleção da obra do poeta, Deborah buscou dividir em alguns temas que para ela surgem como pontos altos. ''É bastante evidente a valorização da vida, questionamentos sociais, saudação à morte e a infância. Quintana é um caleidoscópio poético que vai da lírica ao humor ácido; ele dá voz àquilo que eu penso e gostaria de dizer'', ponderou a atriz.
Também estão presentes no espetáculo reflexões sobre a superficialidade das relações sociais, a guerra, o progresso desenfreado, a destruição do meio ambiente, o consumo, a mídia, a globalização, as religiões e o amor. ''Quando você faz o aquilo que você acredita, é uma forma de melhorar esse mundo tão caótico. Nós, artistas e comunicadores, temos essa função'', disse Deborah.
Apesar da classificação do espetáculo ser multimídia, a atriz ressaltou a pouca importância dessa identificação. ''Cada vez mais eu me desprendo do tipo de linguagem que estou utilizando, pois quero que o público conceitue. É um tipo de regra que está aí para ser usada e não te trancar'', revelou. Deborah também assina a concepção, roteiro e direção. A trilha sonora, que intercala riffs de guitarras e música clássica, é de Chico Ferreti.
Para quem gosta de singelas recordações, após o espetáculo estará à venda uma caixinha com 15 postais ilustrados por Zoravia Bettiol, e trechos das obras de Mário Quinta, como por exemplo ''Tão bom viver dia a dia... A vida, asssim, jamais cansa... Viver tão só de momentos como essas núvens do céu... E só ganhar, toda a vida, inexperiência... esperança''. Enfim, os caminhos seriam tristes se não fora a distante presença das estrelas!

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