Cercada pela Cordilheira
Quando se pensa em uma cidade européia da América do Sul, com avenidas largas, cafés com mesas na calçada e bons restaurantes a cada esquina, não há o que pensar. A escolha é sempre Buenos Aires. Mas esse não é o único destino para quem busca uma bela capital no Cone Sul. Santiago, no Chile, é uma boa surpresa: bonita, barata e a três horas de vôo de São Paulo. Santiago, como toda grande cidade, é o retrato do povo chileno. E isso a torna ainda mais interessante. País de 14,5 milhões de habitantes, dos quais quase 5 milhões moram na capital, já é singular por suas características físicas: é o país mais estreito do mundo. Mesmo com largura máxima de 175 quilômetros, tem vários tipos de paisagem: deserto, lagos, vulcões, geleiras, montanhas nevadas e um litoral com mais de 4 mil quilômetros.
Mas é a história política do Chile a responsável pela primeira impressão que se tem do povo chileno ao desembarcar na capital. É impossível não se impressionar com a quantidade de militares que circula pelo centro da cidade apelidados de tartarugas ninjas pelos santiaguinos por suas fardas verdes. Herança do período em que o país foi ditatorialmente chefiado por uma junta militar, de 1973 a 1988.
Ainda hoje, nota-se na sociedade chilena resquícios da mentalidade que levou os militares ao poder. O conservadorismo é tal que o divórcio ainda não é aceito. Mas também tem o lado bom. Os anos de toque de recolher e tanques nas ruas acabaram resultando num boom da vida noturna em Santiago, parece que os chilenos querem recuperar as noites perdidas e comemoram a liberdade no bairro boêmio de Bellavista.
Não são todos os turistas que gostam de Santiago. Muitos se incomodam com três grandes problemas da capital chilena: trânsito, poluição e pobreza. Mas compare os números. São Paulo, com 10 milhões de habitantes, tem uma frota de quase 5 milhões de veículos. Em Santiago, essa média é de um carro para cada dez habitantes. A cidade tem, de fato, grandes índices de poluição. Está entre as cinco piores do mundo. Mas por um bom motivo: as montanhas dos Andes estão tão próximas de Santiago, os picos nevados são vistos por toda a cidade, que acabam sendo uma barreira para a poeira se dissipar.
No quesito pobreza, o Chile mostra números animadores: de 1987 para 1996, o índice da população que vivia em condições de pobreza caiu de 45% para 23% e o de indigentes, de 17,4% a 5,8%. Com um salário mínimo equivalente a US$ 200, os santiaguinos têm um custo de vida bem menor, comparado ao brasileiro, não é à toa que uma das atrações da cidade são as compras. Se for passear no centro, o turista vai ver pedintes, nada que não exista em uma cidade grande. Por outro lado, verá que a qualidade de vida média vai muito bem. Se pegar um ônibus ou metrô às 18 horas, por exemplo, vai cansar de ver gente muito bem vestida, sempre lendo um livro ou jornais do dia.
O crescimento econômico de Santiago é visível para o turista já na hora de escolher o hotel. Se a cidade não estivesse economicamente bem não teria tantos hotéis de alto nível, de cadeias internacionais. Todos com serviços dignos dos hotéis mais luxuosos do mundo, como os jornais colocados na porta de cada apartamento do Hyatt Regency ou a tábua de passar elétrica que deixa as roupas prontas em minutos apenas apertando um botão, nos quartos do Crowne Plaza Holiday Inn.ReproduçãoA poluição atmosférica em Santiago é agravada pela barreira natural das montanhasAgência Estado





